quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Avaliação Neuropsicológica

Muita gente não conhece a neuropsicologia, e muitos profissionais mesmo na área da Saúde não sabem muito bem o que é a Avaliação Neuropsicológica.

Nós já publicamos um post antes sobre a Avaliação Neuropsicológica, falando  também da sua importância dentro do contexto da Reabilitação Neuropsicológica e Cognitiva.

A avaliação neuropsi (como nós carinhosamente chamamos) é um processo que permite compreensão funcional do desenvolvimento do indivíduo através da elaboração de um perfil de potencialidades e fragilidades. Ela permite:
  • Compreender e observar o potencial adaptativo, ou seja, como esse indivíduo interage com o mundo a partir do seu perfil de potencialidades e fragilidades;
  • Contribui para o diagnóstico diferencial, falando sobre a presença ou não de uma disfunção cognitiva, quais alterações mesmo que sutis podem ser observadas, etc;
  • Contribui para o estabelecimento de um prognóstico, ao identificar os recursos remanescentes e os potenciais do indivíduo, a avaliação permite entender qual o estágio da disfunção, quais recursos podem ser recrutados para uma reabilitação e já sinalizam sobre a evolução do quadro.
  • Orientação para a intervenção, uma vez que ela é a base da reabilitação.
É muito importante observar que a Avaliação Neuropsicológica é muito mais do que a mera aplicação de testes! Esse infelizmente é conceito errado que muitos colegas da áreas da Saúde (e muitas vezes psicólogos) acreditam ser verdade. A avaliação neuropsi faz uso sim de testes, mas ela vai muuuuito além disso. Senão bastaríamos colocar esses testes online para os pacientes fazerem não é mesmo!?

A avaliação neuropsi é todo uma compreensão dinâmica do comportamento que o sujeito expressa durante uma situação clínica (seja o teste, seja uma pergunta, ou seja uma brincadeira que eu faça com o paciente) que revela  a maneira como o sistema nervoso dessa pessoa lida com demanda do ambiente; como reage, como percebe e como se expressa diante disso. Todas as observações clínicas serão unidas dentro de um raciocínio dinâmico que une a história de vida desse paciente, história familiar e genética com conhecimentos sobre sistema nervoso, psicologia, medicina, desenvolvimento humano, patologias do sistema nervoso, etc, para a partir disso conduzir a uma compreensão do caso, entendendo se essa expressão comportamental do paciente é compatível com algum perfil neuropsicológico específico.

Para quem quiser se aprofundar mais, compartilho com vcs uma aula sobre Avaliação Neuropsicológica que ministrei na XXXV Semana da Psicologia da Universidade de Taubaté.


Gostou?? Quer saber mais?? Escreva pra gente!!!

Ms. Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios

sábado, 20 de setembro de 2014

Autismo: sinais precoce

O autismo é uma alteração do neurodesenvolvimento, isso significa que é uma alteração no desenvolvimento neurológico. O cérebro do indivíduo autista tem um funcionamento "diferente" daquele observado em indivíduos da mesma idade sem o diagnóstico. E essa alteração no desenvolvimento se reflete em um padrão de comportamento diferente. Já no bebê é possível observar sinais de riscos para o autismo.

Não se trata de rotular a criança simplesmente, mas observar sinais de alerta no desenvolvimento infantil visando uma intervenção precoce com o objeto de criar condições para que a criança consiga desenvolver plenamente o seu potencial. Se já sabemos que as crianças que estão no Espectro Autista (TEA) tem dificuldades na comunicação, na socialização e apresentam comportamentos repetitivos e estereotipados; ao identificarmos logo cedo o risco para TEA vamos buscar oferecer condições que possam ajudá-la na interação com o meio, oferecendo uma forma de aprendizado diferenciado, adaptações que se façam importantes e oportunidades de aprendizagem compatíveis com a sua necessidade.


Compartilho com vcs um vídeo muito bom sobre esses sinais precoce do autismo, vejam e divulguem.


 








Se vc reconheceu algum desses sinais no seu filho, procure um profissional especializado!
Quanto mais cedo a intervenção, melhor!!

Ms. Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios



domingo, 14 de setembro de 2014

Funções Executivas e TDAH

Olá Pessoal, estava preparando  alguns materiais para uma supervisão de caso com suspeita de TDAH e resolvi compartilhar o material aqui no blog, afinal a dúvida de um pode ser de outros também. Então resolvi fazer esse post para falar brevemente sobre Funções Executivas (FE) e TDAH, e para compartilhar uma aula sobre FE que ministrei há muuuuito tempo (rs) na disciplina de pós-graduação sobre Neuropsicologia no IPUSP. Aproveitem o texto e aula!

O TDAH é um dos transtornos neuropsiquiátricos mais frequente na infância (Polancyk & Rohde, 2007) e seu diagnóstico é essencialmente clínico. É importante notar conforme  aponta Malloy-Diniz e colegas (2008), que a presença de sintomas de TDAH pode variar conforme a fonte de informação: os professores tendem a valorizar mais os sintomas que os pais... por isso mesmo deve-se SEMPRE investigar os diversos informantes (pais, professores, babás, avós...).

Ao pensar sobre um perfil neuropsicológico do TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção com/sem Hiperatividade, rapidamente vamos pensar em déficits atencionais. Segundo Biederman, Mick e Faraone, 2000 (citado por Malloy-Diniz et. al, 2008), esses déficit definem o subtipo do transtorno e são os mais persistentes ao longo do vida desses indivíduos. Para Barkley (1997, citado por Malloy-Diniz et. al, 2008) haveria uma diferenciação entre os comprometimentos da atenção: subtipo desatento teríamos maior comprometimento na atenção focalizada e seletiva; já no subtipo misto ou combinado a maior dificuldade seria na atenção sustentada. Contudo, esses achados não tem sido replicado.

Outro domínio que encontra-se alterado é o das funções executivas. Segundo Malloy-Diniz e colegas (2008), os principais déficits nessas funções referem-se as habilidades de controle inibitório, memória operacional, flexibilidade cognitiva, tomada de decisões e fluência verbal. Marcadamente observa-se a impulsividade como uma característica no padrão de respostas dos indivíduo com TDAH, não somente ocorrendo a impulsividade motora, mas também é possível observar a impulsividade por não-planejamento e a impulsividade atencional.

Em relação à avaliação com as escalas Weschler, observa-se rebaixamento no índice de Resistência à Distração (RD). Muitos erros por impulsividade no teste de Labirintos. E um perfil  ACID de rebaixamento, caracterizado por escores rebaixado nos subtestes Aritmética, Código, Informação e Dígitos.

Compartilho com vcs aula sobre Funções Executivas que ministrei na disciplina de pós-graduação de Neuropsicologia na Psicologia USP. 

Ficou interessado? Quer saber mais??
Vejam as referências sobre o tema abaixou ou me escrevam para nós!!

Ms. Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios


Referências 
Malloy-Diniz, L. F., Sedo, M., Fuentes, D. & Leite, W. B. (2008) Neuropsicologia das funções executivas. In: Fuentes, D., Malloy-Diniz, Camargo, C. H. P. & Cosenza, R. M., (Org.). Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed.  

Bastos, CL (2011). Avaliando o TDAH. Psychiatry on line Brasil 16(12). Dez 2011

Polancysk, G, Rohde, I (2007)Epidemiology of Attetion-deficit/hyperactivity disorder across the lifespan. Current opinion of psychiatry 20(4).

Biederman, Mick, Faraone  et.al (1995) Family enviroment risk factors for Attention-deficit hyperactivity disorder. A test of Rutter`s indicators of adversity. Archives of general psychiatry 52(6)

Barkley (1997) ADHD and the nature of self-control. NY: Guilford. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

"Fixing" Autism - vídeo emocionante

As dificuldades enfrentadas por pais e familiares de crianças do espectro autista vão além da busca por um diagnóstico... ou o diagnóstico é o começo de uma batalha para ajudar a criança a desenvolver seu melhor potencial.

Vejam que interessante o vídeo que esse pai fez sobre a sua "batalha" e em homenagem a sua filha.






Bianca sempre alcançou os marcos do desenvolvimento...
Até ela fazer 1 ano...
Quando ela tinha 15 meses...
Nós sabíamos que alguma coisa estava errada...
Ela ainda engatinhava...
Ela parou de responder ao seu nome...
Ela se tornou absorta em seus brinquedos...
Ela começou a se isolar...
Ela não brincava ou reconhecia outras crianças...
As palavras que havia aprendido... ela perdeu...
Um amigo reconheceu esses sintomas...
E sugeriu que ela fosse avaliada...
Eles vieram em nossa casa...
Assistiram ela brincar...
Havia motivos para preocupação...
Ele estava funcionando muito abaixo da sua idade...
Ela começou com terapias para fala, ocupacional e para o desenvolvimento...
Aos 4 anos, um especialista confirmou nosso medo: AUTISMO.

O diagnóstico foi a parte mais fácil...
O que veio depois poderia ser avassalador...
Descobrir o novo “normal”
Desenvolver rotinas
Muitas terapias
Encontrar bons terapeutas
Lidar com convênios médicos
Ter a terapia negada porque seu filho não mostrou...
“melhora significativa”
Intervenção precoce pré-escolar
Autismo – tarefa de casa
Preenchendo formulário atrás de formulário
Descrevendo as limitações do seu filho
Recebendo olhares punitivos de estranhos...
Quando seu filho autista não agia normalmente
Não deixando que o estresse destrua seu casamento
Garantindo que seus outros filhos não sintam raiva da irmã
MAS... não importa o obstáculo
Não importa quão estressado eu fiquei
Ou quão depressivo eu me torne
Eu VOU lutar por ela
Ela pode nunca ser “normal”
Mas eu posso garantir que ela será...
A melhor BIANCA que ela puder ser.

Para fazer isso...
Eu VOU lutar contra os convênios
Eu VOU falar aberta e honestamente sobre sua condição
Eu VOU  compartilhar minha experiência
Eu NÃO ser silenciado
Eu VOU trabalhar para conseguir uma mudança
Eu VOU lutar por verbas de pesquisa
Eu NÃO FICAREI envergonhado
Eu ARMAREI a mim e aos outros com fatos
Como...
1 em 110 crianças serão diagnosticadas com o transtornos do espectro autista
Meninos são 4X mais afetados do que as meninas
Mais crianças serão diagnosticadas com autismo esse ano do que...
AIDS
DIABETES
E CÂNCER
JUNTOS!!!
Não há cura para o autismo
Autismo custa à nação $35 bilhões por ano
Este número deverá crescer significativamente durante a próxima década
As doações ainda não são tão altas como em outras condições menos prevalentes
Por exemplo...
Leucemia afeta 1 em 1200 – financiamento $277 milhões
Distrofia muscular afeta 1 em 100000 – financiamento $162 milhões
AIDS pediátrica afeta 1 em 300 – financiamento $394 milhões
Diabetes juvenil afeta 1 em 500 – financiamento $156 milhões
Autismo afeta 1 em 110 – financiamento $ 79 milhões
2010 –  orçamento  do National Institute of Health
$35,6 bilhões
$218 milhões foram para pesquisa em autismo
O que representa 0,6% do total do orçamento do NIH
Nós TEMOS que fazer mais
Começando hoje
Faça uma promessa, um voto, uma doação
Se envolva
Escreva para seus representantes (políticos) para garantir terapia para o autismo
Não podemos nos dar ao luxo de perder essa batalha
Peça por mais verbas para pesquisa em autismo
Enquanto isso...
Eu prometo a uma garotinha que irei
Fazer tudo que estiver ao meu alcance...
Para “consertá-la”

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

1º Simpósio Internacional de Autismo PROTEA IPq - HCFMUSP

Divulgando um super evento feito por profissionais altamente gabaritados!
Informações direto no email do evento:  simposioprotea@gmail.com


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Transtorno do Déficit de Atenção (TDA / TDAH)

Atenção


Chamada para participação em pesquisa científica da USP.

Procuramos crianças com diagnóstico médico de Transtorno do Déficit de Atenção (TDA / TDAH) para participarem de Pesquisa Científica da USP (Universidade de São Paulo).

Os voluntários podem ser de ambos os sexos, ter idade entre 07 e 15 anos.

O experimento será realizado em uma sessão de aproximadamente uma hora e quarenta minutos.  Serão realizados testes para avaliação do QI (teste de inteligência) e testes de avaliação neuropsicológicos computadorizados (testes de atenção, memória e etc.). 

Favor entrar em contato para maiores detalhes e para agendar comparecimento.
Drª  Rosani A. A. Teixeira – E-mail: rosanit@usp.br 


segunda-feira, 11 de março de 2013

O que as alucinações revelam sobre nossas mentes

Esse excelente vídeo retirado do www.ted.com, fala sobre as alucinações e o cérebro humano. 
Nele o neurologista e escritor Oliver Sacks chama nossa atenção para a síndrome de Charles Bonnet - na qual pessoas visualmente deficientes experimentam alucinações lúcidas. Ele descreve as experiências de seus pacientes com detalhes afetuosos e nos conduz à biologia desse fenômeno pouco divulgado.


Não deixe de assistir!!!!





Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Dificuldades de Aprendizagem e o Funcionamento sócio emocional, Comportamental e Relações de Apego com Pais, Mães e Professores.

Não é nenhuma novidade que além de dificuldades na escola, as crianças com deficiência de aprendizagem enfrentam também desafios sociais e emocionais, incluindo depressão, isolamento e ansiedade. 

Um estudo recente publicado no Jornal Journal of Youth and Adolescence, mostrou que os adolescentes com dificuldades de aprendizagem eram menos propensos a ter relações de apego seguro com suas mães e professores quando comparados com outros adolescentes.

A teoria do apego procura explicar como o envolvimento, disponibilidade e apoio dos pais pode moldar o desenvolvimento social e emocional de uma criança. Segundo essa teoria, pais ou cuidadores inseguros acarretam prejuízo para a criança, uma vez que, uma criança que passa por um relacionamento inseguro pode internalizar uma auto-imagem negativa e generalizar expectativas negativas em todos os outros relacionamentos, dificultando assim seus relacionamentos com colegas, amigos, professores e até parceiros românticos.

Para este estudo, os pesquisadores verificaram o estado sócio emocional e a segurança de pais e professores de 181 adolescentes com dificuldades de aprendizagem e 188 adolescentes sem problemas de aprendizagem com idades entre 15-17 anos. 

Eles verificaram que os adolescentes com dificuldades de aprendizagem possuíam uma ligação menos segura e significativa com adultos (pais e professores) em comparação com o grupo que tinham ligações mais seguras com sua mãe e pai, ou que consideravam seu professor atencioso e disponível. 

Estes resultados podem ajudar os pesquisadores a desenvolver estratégias de intervenções mais eficazes para crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem. Ajudando a fortalecer suas relações com os pais e professores diminuindo assim seus problemas emocionais e comportamentais.

Fonte:
Michal Al-Yagon. Adolescents with Learning Disabilities: Socioemotional and Behavioral Functioning and Attachment Relationships with Fathers, Mothers, and Teachers. Journal of Youth and Adolescence, 2012; 41 (10): 1294 DOI: 10.1007/s10964-012-9767-6



Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Menopausa e Memória

Nesse mês de janeiro foi publicada no Science Daily uma matéria que associa problemas de memória e menopausa. 

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Rochester MedicalCenter (URMC), com 117 mulheres na pós-menopausa precoce e na fase de flutuação dos ciclos menstruais mostraram alterações nas habilidades cognitivas. 

Nesse estudo, foi aplicada uma ampla bateria de testes, incluindo testes de atenção, aprendizagem, memória verbal, memória de trabalho, habilidades motoras finas e destreza manual. 

Os pesquisadores descobriram que as mulheres na fase inicial de pós-menopausa tiveram um pior desempenho em testes de aprendizagem verbal, memória verbal e habilidade motora fina quando comparado com mulheres que estavam no estágio final de transição reprodutiva. Eles também verificaram que, essas mulheres também apresentavam outros sintomas como dificuldades para dormir, depressão e ansiedade. 

Os pesquisadores concluíram que “Embora os níveis hormonais não pudessem ser diretamente ligados com a função cognitiva, é possível que as oscilações que ocorrem durante este tempo (menopausa) podem desempenhar um papel importante nos problemas de memória que muitas mulheres vivem”. 


Fonte:

University of Rochester Medical Center (2013, January 3). Cognitive difficulties associated with menopause described. ScienceDaily. Retrieved


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Feliz Natal !!! Feliz 2013!!!


Queridos leitores, mais um ano que chega ao final! E que ano... emocionante... desafiador. Vocês fizeram deste um ano muito especial para nós, através de sua participação no blog, compartilhando sentimentos, pensamentos e sugestões. Por isso, este ano foi mais do que especial!!!

Então, para vocês, queridos amigos leitores, a equipe Neurônios no Divã deseja um novo ano, repleto de coisas boas, repleto de tudo que você ouse sonhar...

Esperamos que em 2013 o nosso blog consiga trazer sempre mais informações sobre neuropsicologia e neurociências, que isso não somente divulgue o conhecimento científico, mas também conhecimento que promova saúde e qualidade de vida!! 

E para isso continuamos contando com sua ajuda: envie e-mails com suas perguntas, dúvidas e sugestões, afinal de contas, o  “Neurônios no Divã" é e sempre será destinado a VOCÊ!!!


neuroniosnodiva@gmail.com


Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Distúrbios do sono

Nos últimos 15 anos, as pesquisas mostram que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição generalizada que persiste até a fase adulta em até 60% dos pacientes. Como já sabemos, o TDAH frequentemente e associado a uma série de comorbidades, incluindo depressão, ansiedade, distúrbios de comportamento, abuso de substâncias e distúrbios do sono.

As pesquisas apontam que 20% das crianças e metade dos adultos com TDAH sofrem com problemas do sono. E o sono desempenha um papel fundamental em nossa capacidade de aprender e na consolidação de nossas memórias. A privação do sono pode resultar em sonolência, incapacitante e fadiga, além de exacerbar ainda mais os sintomas de TDAH.

Em uma pesquisa recente, feita pelo Institute of Medical Sciences na Universidade de Toronto no Canada, os pesquisadores alertam para o fundamental cuidado e tratamento dos problemas de sono. Eles sugerem algumas práticas para melhorar a qualidade do sono, como: definir um horário para dormir e para acordar; evitar luzes brilhantes antes de dormir; evitar barulho muito alto, desligar TV e/ou computadores pelo menos uma hora antes de deitar, além de fazer atividades relaxantes como ler um livro ou ouvir música suave. 

Mas não se esqueça, se você tentou esses métodos para melhorar a qualidade de sono e nada funcionou, marque uma consulta com um especialista, que irá analisar seu sono e definir um programa de tratamento, com certeza isso irá melhorar muito a sua qualidade de vida e seus sintomas de TDAH.


Fonte: 
Sleep Medicine Reviews - Volume 16 (4) 371:388 - Sleep in attention-deficit/hyperactivity disorder in children and adults: Past, present, and future - Sun Young Rosalia Yoona,Umesh Jainb e Colin Shapiroa. 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Criatividade - As pessoas são tendenciosas contra ideias criativas





As pessoas muitas vezes rejeitam ideias criativas, mesmo quando vive defendendo a criatividade como uma meta desejada, mostra uma nova pesquisa publicada na Revista Psychological Science. 

Os resultados desse estudo mostraram que:

• Ideias criativas são na verdade “algo novo” e pode desencadear sentimentos de incerteza nas pessoas.

• Pessoas preferem descartar as ideias criativas em favor das ideias já testadas.

• Incerteza impulsiona a busca e geração de ideias criativas, mas essa mesma "incerteza” também nos torna menos capaz de reconhecer a criatividade.

Diante desses resultados os pesquisadores concluíram que ao invés de gerar ideias mais criativas devemos nos preocupar mais em como identificar, reconhecer e aceitar a criatividade. 


Fonte:


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Foi publicado recentemente um estudo na revista Biological Psychiatry, Volume 72, utilizando 837 imagens neuroanatômicas de ressonância magnética com 234 crianças com diagnóstico de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e 231 crianças com desenvolvimento normal. 

Neste estudo os pesquisadores verificaram que existe um atraso no desenvolvimento da superfície cortical na região frontal em crianças com TDAH. Eles dizem que: "Como outros componentes importantes do desenvolvimento cortical também estão atrasados, isso sugere que há um atraso global no TDAH em regiões do cérebro importantes para o controle da ação e atenção". 

O próximo passo dessa pesquisa será tentar entender as causas deste atraso no desenvolvimento nessas crianças.


Fonte: 
“Development of Cortical Surface Area and Gyrification in Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder” by Philip Shaw, Meaghan Malek, Bethany Watson, Wendy Sharp, Alan Evans, and Deanna Greenstein (doi: 10.1016/j.biopsych.2012.01.031). The article appears in Biological Psychiatry, Volume 72, Issue 3 (August 1, 2012), published by Elsevier. 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Bullying e Autismo

A maioria das crianças já foi provocada por um irmão mais velho, por um amiguinho da escola ou da rua em que mora em algum momento de sua vida. Isso é normal e não prejudicial quando feito de uma forma lúdica, amigável e mútua, em que ambas as crianças de diverte com isso. 

O problema é quando isso se torna uma dolorosa provocação, cruel e constante – “Bullying”. 

O Bullying é a intenção de atormentar o outro de forma física, verbal ou psicológica. E para isso, o agressor geralmente: bate, empurra, fala mal, ameaça, usa e-mail, salas de chat, mensagens instantâneas, sites de redes sociais e mensagens de texto com o intuito de ferir e causar sofrimento. As taxas estimadas de bullying no mundo variam de 5 a 38% entre as meninas, e de 6 a 41% entre os meninos. 

Em um artigo publicado na Holanda em 2009, mostrou que a taxa de prevalência de bullying envolvendo adolescentes autistas era entre 6 e 46%. 

Este ano, nos Estados Unidos, foi publicada uma pesquisa, que tinha como objetivo estimar as taxas de bullying envolvendo adolescentes com transtorno do espectro do autismo. Os resultados desse estudo mostraram que 46,3% dos adolescentes com transtorno do espectro do autismo foram vítimas de bullying. 

Segundo especialistas, há pelo menos duas razões para as crianças e adolescentes com necessidades especiais sofrerem bullying: 1) Elas geralmente não são habilidosas socialmente;  2) Elas têm poucos amigos. 

Por esse motivo, preste muita atenção em seu filho! Existem alguns sinais clássicos a serem observados: roupas rasgadas, hesitação em ir para a escola, diminuição do apetite, pesadelos, choro sem motivo aparente, angústia e ansiedade. 

Se você descobrir que seu filho está sendo intimidado, tenha uma conversa franca e aberta, procure entender o que está realmente acontecendo na escola, para que possa tomar as medidas adequadas. E além disso, instrua-o a procurar os professores e os amigos que possam ajudá-lo nos momentos difíceis. 

Fique sempre atento!!! 




Fonte:
Sterzing PR, Shattuck PT, Narendorf SC, Wagner M, Cooper BP. Bullying Involvement and Autism Spectrum Disorders: Prevalence and Correlates of Bullying Involvement Among Adolescents With an Autism Spectrum Disorder. Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, 2012; DOI: 10.1001/archpediatrics.2012.790

Eeske van Roekel, Ron H. J. Scholte and Robert Didden. Bullying Among Adolescents With Autism Spectrum Disorders: Prevalence and Perception. JOURNAL OF AUTISM AND DEVELOPMENTAL DISORDERS, Volume 40, Number 1 (2010), 63-73, DOI: 10.1007/s10803-009-0832-2



Rosani Ap. Antunes Teixeira
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Erro no diagnóstico (deficiência intelectual/atraso mental)

Oi pessoal!

Hoje iremos conversar sobre um email recebido pela nossa equipe de uma leitora que resolveu compartilhar sua história no nosso blog. Os nomes foram alterados para preservar as identidades.

Ana, primeira filha de Juliana, era um bebê absolutamente normal, risonha e esperta. Contudo, Ana demorou a falar, enquanto sobrinhas de Juliana na mesma idade já estavam falando as primeiras palavras, Ana só começou a falar sua palavrinhas por volta dos dois de idade. Além disso, Juliana começou a perceber que Ana ficava brincando quietinha por horas, não respondia ao chamado e se assustava quando alguém aparecia ao seu lado. “Era como se ela vivesse em outro mundo”.

Preocupada, a mãe começou a buscar respostas sobre o que havia de errado com sua pequena Ana. Os pediatras diziam que o desenvolvimento psicomotor de Ana estava dentro da normalidade e que algumas crianças demoram um pouco mais para falar, isso era absolutamente normal.

O tempo foi passando e Ana continuava a brincar quieta pelos cantos, muitas vezes não respondia ao chamado, parecia sempre distante; mas quando as pessoas falavam diretamente com ela, Ana era atenciosa, respondia e interagia muito bem com as pessoas.

Quando foi para escolinha por volta de cinco anos, os professores também notaram que havia algo de errado e solicitaram uma avaliação médica. Para a surpresa de Juliana, Ana foi diagnosticada com déficit intelectual. (Já seria diagnostica com déficit intelectual tão cedo??)

“Deficiência intelectual ou atraso mental é um termo usado para descrever pessoas que apresenta certas limitações em seu funcionamento mental, em sua comunicação, cuidado pessoal e relacionamento social. Essas crianças, geralmente necessitam de mais tempo para aprender a falar, aprender a andar, aprender a se vestir, etc. Na escola, essas crianças aprendem de forma muito mais lenta, e por isso não conseguem acompanhar o ritmo das outras crianças. Além disso, apresentam problemas de linguagem, dificuldades em gravar fatos ocorridos, compreender determinadas tarefas, dificuldades em expressar-se e etc.”.

O diagnóstico caiu como uma bomba para Juliana que não acreditava nem aceitava esse diagnóstico "meu mundo caiu, não podia aceitar aquilo, não podia ser... como!!? Minha filha tinha problemas, mas não aquilo!". Essa inquietação impulsionou Juliana a continuar buscando respostas, e procurou por uma segunda e uma terceira opinião... felizmente esse último profissional resolveu fazer uma "investigação mais detalhada" e encaminhou para Ana para um avaliação neuropsicológica.

A avaliação neuropsicológica indicou a necessidade de outro tipo de avaliação e Ana foi encaminhada a um médico otorrinolaringologista para realizar um exame de audiometria, pois havia indícios de problemas com a audição de Ana.

O resultado da audiometria mostrou que a menina possuía uma pequena perda auditiva, o que a impossibilitava de ouvir normalmente, principalmente a voz humana (isso explicava porque Ana não respondia aos chamados e vivia sempre no seu mundinho). E o resultado da avaliação neuropsicológica mostrou que Ana não tinha nenhum atraso mental, e nenhuma outra dificuldade.

Ana passou a usar então aparelho auditivo, por indicação do médico. Seu desempenho escolar surpreendeu a todos, Ana passou a ser a melhor de sua turma e a interagir muito bem com todos os amigos, já não ficava mais brincando no canto, quietinha, falava sobre tudo, o tempo tudo e estava sempre pronta a aprender coisas novas.

Juliana conta que foi muito criticada pelos familiares e amigos por não aceitar o primeiro diagnóstico recebido pela filha (deficiência intelectual), mas agora todos percebem a importância de uma segunda opinião, principalmente quando ainda restam dúvidas.

Muito legal ouvir essa história e saber que ela teve um final feliz! Infelizmente nem sempre isso acontece e a história de Juliana a Ana nos mostra que vale a pena procurar uma segunda opinião, sempre que há dúvidas. Ter uma segunda opinião nem sempre é necessário, mas quando ainda há dúvidas, muitas vezes é válido procurar a opinião de outro profissional especializado, com isso ter a confirmação do diagnóstico e buscar a melhor maneira como lidar com esse problema.



Você também tem uma história para contar?? 
Quer compartilhar com a comunidade Neurônios no Divã!? 
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Anorexia Nervosa - Bulimia

Uma recente pesquisa feita pelos pesquisadores da Universidade de Minnesota, EUA, mostrou ligações entre os eventos de mudanças na vida e o aparecimento de transtornos alimentares.  

Mudanças Escolares: 
Alguns participantes desta pesquisa destacaram os problemas que tiveram de adaptação escolar, principalmente quando saíram  de casa para ir à faculdade ("... Eu estava incrivelmente solitária, sem apoio e parei de comer", comenta uma participante). 

Mudanças no relacionamento: 
O rompimento com um parceiro ou com os pais acaba desencadeando problemas alimentares (“... Depois da separação, comecei a comer, para compensar os sentimentos de ansiedade”, comenta outra participante).

Morte de um membro da família: 
A morte de um membro da família ou pessoa próxima pode ser muito traumático (“... Minha irmã morreu, mas ninguém falou sobre isso – comecei a comer desesperadamente, perdi o controle”, comenta outra adolescente). 

Mudanças no emprego: 
Algumas pessoas também relatam perda ou mudança de emprego como uns dos fatores que levaram aos distúrbios alimentares (“... Eu me senti perdida no novo emprego, desesperada e foi ai que meus problemas alimentares começaram", diz uma participante).

Doenças e hospitalizações: 
Para outras pessoas uma simples doença foi o início do transtorno alimentar ("... Eu pensava que se eu parasse de me alimentar, as pessoas iriam cuidar das coisas para mim", diz uma participante).

Abuso – agressões: 
Algumas pessoas entrevistadas também relatam eventos abusivos e agressivos como sendo o início de seus problemas alimentares ("... Eu pensei que se ganhasse muito peso ele iria me deixar em paz", comenta uma jovem). 

Esse estudo mostra claramente que os transtornos alimentares podem ser desencadeados por uma série de mudanças na vida de uma pessoa e que a falta de apoio foi um tema comum relatado por todos os participantes da pesquisa. 

Se você sofre com essa doença, busque tratamento com profissionais especializados!! Segundo a American Psychological Association (APA), a psicoterapia individual e familiar e um dos tratamento mais eficaz para a anorexia e bulimia. 


Fonte:
Jerica M Berge, Katie Loth, Carrie Hanson, Jillian Croll-Lampert, Dianne Neumark-Sztainer. Family life cycle transitions and the onset of eating disorders: a retrospective grounded theory approach. Journal of Clinical Nursing, 2012; 21 (9-10): 1355 DOI: 10.1111/j.1365-2702.2011.03762.x 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Flexilidade Mental - Autismo e Esquizofrenia

Em um post publicado anteriormente (03.03.2011), falamos um pouco sobre as funções executivas e flexibilidade mental. 
Não deixe de ler!!!

Agora, vou falar um pouco sobre uma pesquisa recentemente publicada na revista científica “Cell”, onde os pesquisadores identificaram uma proteína necessária para manter essa flexibilidade comportamental e com isso oferecer novas perspectivas para pessoas com autismo e esquizofrenia (doenças marcadas pela flexibilidade comportamental prejudicada). 

Flexibilidade Mental, o que seria isso??
Podemos dizer que "Flexibilidade mental" é a capacidade de lidar com diversas situações de maneiras diferentes, visando sempre responder de forma eficaz e eficiente. Uma pessoa com boa flexibilidade mental é capaz de: Ver as coisas de perspectivas diferentes; Adaptar-se à mudanças; Aprender com os próprios erros e com os erros dos outros; Resolver problemas de maneira criativa, entre outros.

Nesse estudo, os pesquisadores fizeram dois experimentos diferentes:
Primeiro - Compararam as experiências de camundongos ao percorrer um labirinto de água com o objetivo de achar uma plataforma para sair da água. Depois essa plataforma era transferida para um local diferente.
Resultado desse experimento: - os camundongos normais (com a proteína) localizaram a plataforma e saíram da água, mas aqueles que não possuíam a proteína foram incapazes de localiza-la. 

Segundo - Colocaram os camundongos sobre uma plataforma onde após um sinal sonoro, um choque fraco era aplicado nas patas desses camundongos. Todos os camundongos ficavam parados ao ouvir o som que antecede o choque nas patas. Na fase seguinte, os pesquisadores mantiveram o sinal sonoro e retiraram o choque.
Resultado: - os camundongos normais ajustaram suas respostas e passaram a não ficar mais parados depois de ouvir o som, mas os camundongos sem a proteína continuaram a responder da mesma maneira, como se esperasse um choque nas patas. 

Para concluir o experimento, os pesquisadores ainda fizeram análises pós-morte de cérebros humanos de pessoas com esquizofrenia e controles saudáveis, e verificaram que o grupo controle mostraram níveis normais da proteína enquanto os pacientes esquizofrênicos apresentavam níveis reduzidos. 

Esses resultados mostram a importância dessa proteína na manutenção da flexibilidade comportamental e como sua ausência pode estar associada com a esquizofrenia e outros distúrbios neurológicos.


Fonte: Mimi A. Trinh, Hanoch Kaphzan, Ronald C. Wek, Philippe Pierre, Douglas R. Cavener, Eric Klann. Brain-Specific Disruption of the eIF2α Kinase PERK Decreases ATF4 Expression and Impairs Behavioral Flexibility. Cell Reports, 24 May 2012 DOI: 10.1016/j.celrep.2012.04.010.


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Memória: use-a ou esqueça!!

Quase metades das pessoas com mais de 60 anos procuram atendimento médico devido a preocupações com o declínio cognitivo (esquecimentos). 

Em 2050, o número de pessoas com mais de 65 anos de idade irá aumentar assustadoramente e como isso, o número de pacientes com DEMÊNCIA é estimado em 37 milhões. No Brasil, em números absolutas já temos mais idosos do que crianças de até 4 anos.

Uma das consequências do envelhecimento populacional, e uma maior ocorrência de complicações associadas às doenças crônico-degenerativas como as demências. 

As demências representam um grande problema de saúde pública, pois são uma das causas mais importantes de morbi-mortalidade (impacto das doenças e mortes) e trazem graves consequências para a vida do paciente e de seus familiares.

Mas nem tudo está perdido!! Segundo pesquisas anteriores, altos níveis de atividade mental como quebra-cabeças, artesanato, jogos de memória, trabalhos manuais e etc., podem diminuir o risco de um indivíduo desenvolver demência em cerca de 50% e pode ainda reduzir a probabilidade do chamado declínio cognitivo leve, que nada mais é do que mudanças no desempenho cognitivo em alguns domínios, mas esses prejuízos não chegam a afetar a vida cotidiana dos idosos e seus familiares.

Recentemente, novo estudo publicado no mês de março na revista BMC Medicine demostra que o treinamento cognitivo é capaz de melhorar o raciocínio, memória, linguagem e coordenação motora de idosos. Segundo o estudo, com o treinamento cognitivo as funções neuropsicológicas dos idosos podem manter-se em pleno funcionamento ao longo do tempo ajudando-os a continuar a viver de forma independente e com muita qualidade de vida.

Fonte:
Yan Cheng, Wenyuan Wu, Wei Feng, Jiaqi Wang, You Chen, Yuan Shen, Qingwei Li, Xu Zhang, Chunbo Li. The effects of multi-domain versus single-domain cognitive training in non-demented older people: a randomized controlled trial. BMC Medicine, 2012; 10 (1): 30 DOI:10.1186/1741-7015-10-30


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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Neurônios no Divã

terça-feira, 26 de junho de 2012

Criatividade – De onde vem?


Criatividade tem sido definida como um comportamento e embora possa ser considerado o mais importante de todos os recursos humanos, sua base neural ainda permanece difícil de ser entender. 

Na tentativa de compreender o processo criativo, alguns estudos têm-se centrado no pensamento divergente, que nada mais é do que “a possibilidade de seguir várias linhas de pensamento e gerar soluções novas e originais”. 

Para tentar responder essa pergunta, pesquisadores da Universidade de Los Angeles investigaram a base neural da criatividade, comparando a atividade cerebral de pessoas quando completavam duas tarefas diferentes:
  • uma tarefa criativa, onde eles deviam manipular mentalmente três formas para criar um objeto (requer respostas inovadoras), 
  • e uma tarefa mais simples, onde os participantes tinham que girar mentalmente três partes para criar apenas uma forma geométrica (requer uma única resposta correta). 

Os resultados sugerem que o processamento criativo recruta ambos os hemisférios, incluindo aquele que é menos dominante para a tarefa, mostram ainda que o planejamento motor pode ser um componente de improvisação criativa, e que o lado esquerdo do cérebro é potencialmente um apoiador crucial da criatividade no cérebro.


Fonte:
L. Aziz-Zadeh, S.-L. Liew, F. Dandekar. Exploring the Neural Correlates of Visual Creativity. Social Cognitive and Affective Neuroscience, 2012.


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Como é o pensamento de um cão?

Uma das mais antigas espécies domesticadas, os cães, foram moldados por milhões de anos de contato conosco, seres humanos... Como resultado desta evolução física e social, os cães, mais do que quaisquer outras espécies, adquiriram capacidade de compreender e se comunicar conosco.

Mas, muitos de nós vivemos a perguntar... O que se passa em sua mente? Quais são seus pensamentos?

Na busca por essas respostas, cientistas interessados em compreender essa relação entre o homem e o cão, tentam descobrir através de técnicas de Ressonância Magnética funcional (fMRI), o que se passa no cérebro de nossos fiéis amigos caninos. 

Eles treinaram os cães para responder a determinados sinais e descobriram que os bichos prestam muita atenção aos sinais humanos e que quando os cachorros visualizavam um sinal de gratificação (agrado), a região do núcleo caudado (associada a recompensas em seres humanos) mostrava-se ativada. 

Os pesquisadores acreditam que com essa descoberta, em breve poderemos estudar melhor a cognição canina e responder perguntas sobre a ligação afetiva dos seres humanos e os cães...

Veja o vídeo com o experimento:


Veja também o artigo completo:



Rosani Ap. Antunes Teixeira
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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Documentário sobre o Cérebro Humano


Esse excelente vídeo retirado do youtube fala sobre o cérebro humano e o seu funcionamento.

Não deixe de assistir!!!!   






Rosani Ap. Antunes Teixeira
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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Anorexia e Obesidade


Anorexia é definida como um transtorno alimentar que afeta principalmente adolescentes e mulheres jovens, caracterizada pelo medo patológico de engordar, é um distúrbio grave e potencialmente ameaçador para a vida. A pessoa possui uma distorção da imagem corporal e um medo irracional de se tornar obesa, com isso ela tenta deliberadamente perder peso e muitas vezes ignoram os sinais de fome e controlam seu desejo de comer com dieta excessiva. 

Um estudo recentemente publicado pela Universidade de Medicina do Colorado revela que os circuitos de recompensa no cérebro estão sensibilizados em mulheres com anorexia e insensíveis em mulheres obesas. 

Essa pesquisa contou com a participação de 63 mulheres obesas ou anoréxicas e os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) para analisar a atividade cerebral e comparar com mulheres com peso “normal”. 

Os autores descobriram que, durante essas sessões de ressonância magnética, uma solução com sabor doce resultou na ativação neural aumentada no sistema cerebral de recompensa em pessoas anoréxicas e ativação diminuída em indivíduos obesos, evidenciando que os circuitos de recompensa do cérebro são mais sensíveis a estímulos alimentares na anorexia, e menos sensível em obesas. 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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Fonte: Guido K W Frank, Jeremy R Reynolds, Megan E Shott, Leah Jappe, Tony T Yang, Jason R Tregellas, Randall C O'Reilly. Anorexia Nervosa and Obesity are Associated with Opposite Brain Reward Response.Neuropsychopharmacology, 2012.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Programa para auxiliar crianças com dislexia



A Dislexia é uma dificuldade específica no aprendizado da linguagem. É um transtorno neurofuncional que tem causas genéticas e é hereditário. Pode ocorrer em crianças saudáveis, inteligentes, com estímulos sócioculturais adequados e sem problemas de ordem sensorial ou emocional.

Post sobre Dislexia: Clique Aqui

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, é importante realizar o diagnóstico da dislexia "o mais cedo possível, para amenizar ou evitar um comprometimento social e emocional do indivíduo ao longo da sua vida, e, ainda, minimizando os aspectos da dificuldade de aprendizagem".

A boa notícia para pais, professores e profissionais que convivem e atuam com a Dislexia é uma novo programa de computador que auxilia o desempenho de crianças com dislexia nas habilidades de leitura e escrita.

O software foi desenvolvido na tese de doutorado da fonoaudióloga Cíntia Alves Salgado Azoni, pesquisadora do laboratório de Distúrbios de Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre), da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp sob o título de “Programa de remediação fonológica, de leitura e escrita em crianças com dislexia do desenvolvimento".

Participaram da pesquisa 62 crianças, sendo: 17 crianças com dislexia submetidas ao programa de remediação, 14 crianças com dislexia que não passaram por intervenção e 31 crianças sem diagnóstico que compunham o grupo controle. O programa de remediação foi realizado em 20 sessões. Os resultados da pesquisa mostraram melhora no tempo de nomeação automática rápida, na consciência fonológica, na velocidade de leitura e habilidades de escrita.

Segundo a autora da tese,  o programa tem atividades na qual podem ser utilizadas palavras do contexto-cultural da criança e afirma ainda que há possibilidade de serem desenvolvidas versões do programa para pedagogos e professores,e do programa ser disponibilizado na internet.

Vejam a notícia completa no Jornal da Unicamp: Clique Aqui.
Essa notícia também foi publicada na Folha: Clique Aqui.

É ou não é uma ótima notícia!!?


Ficou curioso?? Quer mais informações sobre o dislexia e o tratamento para dislexia??
Entre em contato conosco: neuroniosnodiva@gmail.com



Fonte: Associação Brasileira de Dislexia e Jornal da Unicamp.




Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com



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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mielomeningocele

Atendendo a pedidos, vamos falar um pouco sobre a Mielomeningocele. Mielomeningocele é uma doença congênita, que ocorre durante o primeiro mês de gestação (geralmente a mulher ainda não sabe que está grávida). Durante a gestação os dois lados da espinha dorsal do feto se unem para cobrir a medula espinhal, os nervos espinhais e as meninges. Mas, algumas vezes pode ocorrer um defeito nesse fechamento e ele acontecer de forma incompleta. 

A causa dessa doença ainda é desconhecida. No entanto, sabe-se que os baixos níveis de ácido fólico no organismo da mulher antes e durante a gestação podem estar relacionados com essa patologia. A vitamina ácido fólico tem um papel fundamental no processo de multiplicação celular e no desenvolvimento do cérebro e da medula espinha, portanto, imprescindível durante a gravidez.

O diagnóstico pode ser feito através da ultrassonografia e de uma maneira geral, o defeito pode ser identificado a partir da décima sétima semana de gestação. A correção cirúrgica, pode ocorrer até mesmo ainda no ventre materno, porém, essa correção não impede que a criança venha a apresentar sequelas. 

A malformação pode ocorrem em qualquer nível da coluna vertebral, e com isso diferentes graus de comprometimentos são observados. Os sintomas incluem: • Perda do controle da bexiga ou intestino; • Parcial ou completa falta de sensação; • Parcial ou completa paralisia das pernas; • Fraqueza dos quadris, pernas ou pés; • Pés anormais, como pé torto; • Acumulação de líquido dentro do crânio (hidrocefalia), entre outros.

Além desses sintomas, a hidrocefalia também é bastante comum e podem ocasionar deficiência intelectual, déficit nas funções executivas e visuoespaciais. E muito importante o reconhecimento desses problemas o mais precoce possível para que um programa de estimulação (reabilitação cognitiva) seja traçado de acordo com as necessidades da criança. Assim, quando a criança chegar à idade adulta terá condições de levar uma vida normal apesar de possuir algumas sequelas físicas.

Uma outra coisa muito importante é a psicoterapia. Essa patologia tem um efeito psicológico profundo nas crianças e em seus familiares (geralmente sofrem de depressão, ansiedade e estresse constantes). A psicoterapia permite que pacientes e familiares aprendam a lidar melhor com a doença, compreendendo seus limites e sintomas.  Alem de promover mudanças de estratégias frente aos problemas enfrentados e contribuir para melhora na qualidade de vida. 



Ficou curioso, com dúvida ou quer mais informações sobre esse tema? 
Entre em contato:
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Rosani Ap. Antunes Teixeira
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