sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal

Nós, da equipe Neurônios no Divã, desejamos a cada um de vocês um Feliz Natal, repleto de momentos especiais com muito amor, paz e felicidades... Desejamos também que 2012 seja um ano muito recompensador, próspero,  cheio de saúde e sabedoria.

Gostaríamos de agradecer a você por fazer parte da família “Neurônios no divã”.

E que em 2012, você se sinta ainda mais à vontade para nos enviar e-mails com suas perguntas, dúvidas e sugestões, afinal de contas, o blog “Neurônios no Divã é e sempre será destinado a VOCÊ!!!

Feliz Natal!! Feliz 2012!!!!





Equipe Neurônios no Divã
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

[Reabilitação] Reabilitação da Atenção

Hoje falaremos sobre a Reabilitação da Atenção.

Existem diversos modelos para explicar a atenção, mas aqui descreveremos apenas o modelo clínico, que é mais utilizado para a reabilitação.

Temos basicamente cinco componentes da atenção:
  • Atenção focada – resposta a um estímulo (ex: girar a cabeça  quando ouvimos nosso nome);
  • Atenção mantida ou sustentada –  habilidade de manter a atenção continuamente durante toda a duração de uma atividade (ficar focado até o termino da tarefa);
  •  Atenção seletiva – habilidade de manter a atenção fixa, ignorando outros estímulos (ex: ficar atento a uma conversa mesmo que a TV esteja ligada);
  •  Atenção alternada – habilidade de mudar o foco da atenção e fazer duas coisas praticamente ao mesmo tempo (ex: prestar atenção ao professor e tomar nota dos pontos principais);
  • Atenção dividida – habilidade de responder simultaneamente a duas tarefas (ex: falar ao telefone e digitar no computador ao mesmo tempo).
Obviamente, a reabilitação vai passar pela avaliação neuropsicológica da atenção, que irá identificar qual componente da atenção está alterado e qual o nível. A partir desses resultados, vamos eleger a melhor técnica para reabilitar o componente atencional, que podem ser: treinamento da sustentação da atenção, treino com estímulos distratores, etc. Contudo a escolha da técnica depende do componente atencional que se quer reabilitar.

Alguns exemplos de técnicas:
  • Prejuízo na atenção mantida ou sustentada – podemos utilizar a técnica do treinamento da atenção: exercícios onde o paciente ouça determinados parágrafos e depois diga o que entendeu.
  • Prejuízo na atenção seletiva – podemos utilizar a técnica de dispositivos externos: exercícios onde o paciente faça uma redação e tenha que ignorar um ruído externo ou a TV.
  • Prejuízo na atenção alternada – podemos utilizar a técnica do treinamento da atenção: exercícios onde o paciente começe a escrever os números na ordem crescente e depois na ordem decrescente.
  • Prejuízo na atenção dividida – podemos utilizar a técnica de treinamento da atenção: com exercícios onde o paciente começe a fazer uma leitura e ao mesmo tempo procure palavras relacionadas com “café da manhã”.
O trabalho de reabilitação também incluí a utilização de estratégias e suportes ambientais, ou ainda, dispositivos externo (bips, pagers ou celular). Essas estratégias envolvem manipulação do ambiente do indivíduo de modo a facilitar ou promover as metas estabelecidas. Uma estratégia fundamental, por exemplo, para ajudar as crianças a prestar atenção na lição é modificar seu ambiente de estudos para diminuir as distrações, tirar brinquedos da mesa de estudo e diminuir o número objetos restringindo-os aos necessários à lição. Essa estratégia também é muito útil com os adultos.

A pedido dos leitores do Blog, iremos disponibilizar uma pequena apostila com exemplos de exercícios para estimular a atenção.

Link para apostila: Clique Aqui


Ficou curioso, com dúvida ou quer mais informações sobre a Reabilitação da Atenção? Entre em contato conosco: neuroniosnodiva@gmail.com



Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br


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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

[Reabilitação] A Reabilitação

Continuando nossa série de posts sobre a Reabilitação, hoje vamos falar da Reab, como costuma ser conhecida.

A Reabilitação Congitiva / Neuropsicológica é um processo terapêutico que visa estimular, recuperar ou melhorar as funções cognitivas de crianças, adolescentes, adultos e idosos que apresentam déficits cognitivos. Na reabilitação, as sessões são estruturadas atráves de um plano de tratamento com atividades personalizadas, as funções com prejuízo serão estimuladas, compensadas ou adequadas.

A partir dos dados da avaliação neuropsicológica, será desenvolvido um Programa de Reabilitação que consiste em uma série de prática de intervenções terapêuticas e envolvem:
  • Treinamento de tarefas;
  • Treinamento direto com técnicas e exercícios específicos;
  • Orientação familiar e escolar (caso necessário);
  • Manipulação ambiental e/ou escolar;
  • Psicoterapia.
O objetivo principal da reabilitação não é somente melhorar e compensar habilidades cognitivas visando um ganho funcional, mas também minimizar o impacto pessoal, emocional e social da lesão cerebral / alteração cognitiva garantindo assim melhor qualidade de vida para o paciente e seus familiares.


O trabalho de Reabilitação Cognitiva / Neuropsicológica deve ser conduzido  por um psicólogo especializado em neuropsicologia, que irá compreender o paciente como um indivíduo, em seus aspectos cognitivos, emocional e social.

Com isso, a Reabilitação também tem como objetivo a compreensão da nova realidade funcional do indivíduo por ele mesmo, pela família e pela sociedade; auxiliando-o a lidar com as mudanças em seu cérebro e comportamento em diversos contextos sociais. Além de estabelecer compromissos de mudanças e trabalho realistas, promovendo um ambiente de esperança, com metas que possam ser alcançadas.

Quer saber mais sobre Reabilitação Cognitiva / Neuropsicológica ???
Entre em contato conosco: neuroniosnodiva@gmail.com

Próximo post: Reabilitação da Atenção!!! Não Perca!!!!!!!


Daniela Tsubota Roquedaniela.tsubota@gmail.com


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

[Reabilitação] A avaliação neuropsicológica

Estamos iniciando uma série de posts sobre Reabilitação Cognitiva ou Reabilitação Neuropsicológica. Nosso intuito é comentar sobre os principais pontos do tema e sugerir atividades e exercícios.

Então, vamos começar falando da primeira etapa de qualquer processo de Reabilitação: a Avaliação Neuropsicológica.

A avaliação neuropsicológica é um processo complexo que integra diversas informações a fim de desenvolver uma compreensão sobre as habilidades cognitivas, relações cérebro-comportamento, habilidades sociais e funcionamento da personalidade de um indivíduo.

A entrevista clínica é o primeiro passo e fornece uma visão geral sobre o indivíduo e o seu contexto de vida. São colhidos dados referentes à história pessoal e familiar, informações relacionadas ao desenvolvimento acadêmico e profissional, além de informações sobre o desenvolvimento psicomotor, desenvolvimento da fala, problemas com a puberdade, problemas associados ao envelhecimento e o histórico médico.

A partir dessas informações, o neuropsicólogo monta uma bateria de testes específica para cada pessoa. Em conjunto, os dados da entrevista e os resultados dos testes neuropsicológicos fornecem subsídios para a compreensão da dinâmica cognitiva do indivíduo, revelando as potencialidades e os potenciais a serem desenvolvidos, permitindo ao neuropsicólogo traçar um programa de reabilitação cognitiva / neuropsicológica.

Avaliação neuropsicológica é indicada quando se suspeita de:
  • Condição neurológica (autismo, hidrocefalia, meningite, tumores cerebrais, paralisia cerebral, TDAH, Síndrome de Down etc);
  • Sequela cognitiva decorrente de traumas, acidente vascular cerebral, infecção etc;
  • Dificuldades de aprendizagem e escolares;
  • Dificuldades de memória e atenção;
A avaliação neuropsicológica permite um diagnóstico detalhado das funções cognitvas e é o ponto de partida para o planejamento de intervenções psicológicas, neurológicas e acadêmicas.

Deseja mais informações sobre Avaliação Neuropsicológica?
Entre em contato conosco: neuroniosnodiva@gmail.com


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br

Daniela Tsubota Roque
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Alzheimer - Novas pesquisas

Nova Técnica de ressonância magnética para diagnosticar ou excluir a doença de Alzheimer.

No tecido cerebral, o fluxo sanguíneo é intimamente ligado ao consumo de glicose, que é o combustível que o cérebro usa para funcionar. Assim quando uma pessoa tem um aumento ou uma diminuição na sua função cerebral, o fluxo sanguíneo e o metabolismo da glicose também acompanham essas mudança. 

Assim, os pesquisadores criaram uma nova técnica de exame de imagem. Eles projetaram o “ASL-MRI” que permite quantificar o fluxo sanguíneo cerebral usando um escâner de ressonância magnética de rotina. 

Hoje, quando um paciente tem suspeita da doença de Alzheimer, o médico geralmente solicita uma ressonância magnética para procurar mudanças estruturais. 

No futuro, esse novo equipamento será incorporado à ressonância magnética e será capaz de capturar informações funcionais (fluxo sanguíneo e metabolismo da glicose). Assim você teria no mesmo teste informações estruturais e funcionais. Com isso, o diagnóstico de Alzheimer seria feito mais precocemente e de maneira muito mais rápida e segura.


Fonte:
Erik S. Musiek, Yufen Chen, Marc Korczykowski, Babak Saboury, Patricia M. Martinez, Janet S. Reddin, Abass Alavi, Daniel Y. Kimberg, David A. Wolk, Per Julin, Andrew B. Newberg, Steven E. Arnold, John A. Detre. Direct comparison of fluorodeoxyglucose positron emission tomography and arterial spin labeling magnetic resonance imaging in Alzheimer’s disease. Alzheimer's and Dementia, 2011; DOI: 10.1016/j.jalz.2011.06.003

Y. Chen, D. A. Wolk, J. S. Reddin, M. Korczykowski, P. M. Martinez, E. S. Musiek, A. B. Newberg, P. Julin, S. E. Arnold, J. H. Greenberg, J. A. Detre. Voxel-level comparison of arterial spin-labeled perfusion MRI and FDG-PET in Alzheimer disease. Neurology, 2011; DOI: 10.1212/WNL.0b013e31823a0ef7

Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Esclerose Múltipla – Novas pesquisas (Novo medicamento)

Uma nova droga chamada Ocrelizumab tem se mostrado promissora para o tratamento de pessoas com esclerose múltipla, uma doença crônica autoimune que afeta um número crescente de pessoas, geralmente adultos jovens, e é mais comum em mulheres.
- Para saber mais sobre a doença  -  veja:
http://neuroniosnodiva.blogspot.com/2011/06/video-esclerose-multipla.html

Em um estudo com 220 pacientes com esclerose multipla do tipo remitente-recorrente, os pesquisadores aplicaram injeções do anticorpo monoclonal Ocrelizumab no primeiro grupo, o segundo grupo recebeu a droga padrão interferon-beta, e o grupo "controle" recebeu placebo.

Os pesquisadores avaliaram a eficácia de cada tratamento, realizando ressonância magnética para verificar o número de marcas visíveis que indicam lesões inflamatórias e também compararam a frequência de “surtos” ocorridos durante 24 semanas.

Os resultados demostraram que os pacientes que receberam a nova droga, no geral, mostraram menos sinais da doença do que os pacientes que recebem o tratamento com interferon-beta tradicional. O estudo constatou ainda que a droga Ocrelizumab reduziu em 89% as formação de lesões, além de reduzir o número de novos “surtos” ao longo dessas 24 semanas. O próximo passo agora é verificar o efeito da droga a longo prazo e se o perfil de segurança positiva será sustentável ao longo do tempo.

Fonte:
Ludwig Kappos, David Li, Peter A Calabresi, Paul O'Connor, Amit Bar-Or, Frederik Barkhof, Ming Yin, David Leppert, Robert Glanzman, Jeroen Tinbergen, Stephen L. Hauser. Ocrelizumab in relapsing-remitting multiple sclerosis: a phase 2, randomised, placebo-controlled, multicentre trial. The Lancet, 2011; DOI: 10.1016/S0140-6736(11)61649-8.

Rosani Aparecida Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Autismo e Insensibilidade Social

A preocupação com a nossa reputação afeta a forma como nos comportamos em situações sociais. Muitas de nossas ações são influenciadas pelo fato de podermos ser vistos e avaliados por outras pessoas. Assim, a reputação pode ser um aspecto bastante importante para a vida em sociedade. 

Distúrbios do espectro autista são uma classe de transtornos de neurodesenvolvimento com uma incidência estimada perto de 1%, e caracterizado em parte por deficiências profundas das interações sociais. As dificuldades sociais encontradas por pessoas autistas são especialmente notáveis em autistas de alto funcionamento e muitas vezes é o único componente incapacitante na vida diária. 

Em uma pesquisa recente publicada na Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas analisaram 21 indivíduos sendo 10 autistas e 11 controles, que tinham que fazer doações em dinheiro para a UNICEF sob duas condições: - 1ª em uma sala sozinho;  - 2º em uma sala junto com um observador.

Os pesquisadores verificaram que os controles doaram mais na presença do observador enquanto os autistas não. Esses resultados indicam que os indivíduos autistas têm uma dificuldade específica para levar em consideração a sua reputação aos olhos dos outros, ou seja, para eles a reputação não funciona como um incentivo para o comportamento social. 

Nós estamos o tempo todo pensando sobre o que as outras pessoas pensam de nós, certo? Os indivíduos autistas não.
Parece ser essa, a grande diferença!!!

Fonte:
K. Izuma, K. Matsumoto, C. F. Camerer, R. Adolphs.Insensitivity to social reputation in autism. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2011; DOI:10.1073/pnas.1107038108

Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

terça-feira, 8 de novembro de 2011

MEDOS NA INFÂNCIA

É muito comum crianças possuírem medos específicos, como por exemplo: medos do escuro, de certos animais, de sangue, de altura, etc. Os medos na infância nem sempre são comuns a todas as crianças e um mesmo estímulo podem ser ameaçador para uma criança e não ter nenhum efeito para outra. 

Como a criança adquiriu o medo? 
Os medos geralmente são adquiridos de três formas diferentes. 

a) O medo pode ser adquirido pelo sentimento de insegura e ansiedade frente a uma determinada situação (por exemplo: altura); 

b) Pode ser adquirido também após evidenciar pessoas com medo da mesma situação (por exemplo: ver pessoas com medo de altura); 

c) Pode ser adquirido após saber que alguém encontra-se hospitalizado após cair de uma determinada altura por exemplo. 

O que é interessante, é que a maioria dos medos infantis é devida a transmissão de informações negativas, como por exemplo: “não chegue perto do gato, ele pode arranhar” ou ainda “desça já, você pode cair e se machucar”, etc. E isso é muito ruim para as crianças, pois em muitos casos esses medos podem interferir em seu desenvolvimento normal. 

Vamos ver um exemplo: Vamos supor que certo dia alguns pais assistem ao noticiário na televisão e veem que uma determinada criança foi hospitalizada após ter sido mordido por cachorro. A partir desse momento, mesmo sem se dar conta, esses pais passam essa informação negativa aos filhos. - “Não chegue perto de cachorros, ele mordem” - “Vamos sair do parque, tem um cachorro solto”

Possivelmente essa criança vai começar a desenvolver medo de cães, o que certamente irá lhe roubar importantes oportunidades (como por exemplo, deixa de ir à casa do amiguinho de escola porque o garoto possui em cãozinho). 

Um estudo conduzido pelo pesquisador Morris e colaboradores investigou se o medo desapareceria se as crianças fossem submetidas a informações a respeito do objeto do medo. Eles avaliaram 62 crianças com idades entre 9 e 13 anos que foram expostas a informações negativas e desenvolveram medo de um determinado personagem animal. 

As crianças foram divididas em três grupos: 
a) Um grupo recebeu informações positivas referente ao medo; 
b) O outro recebeu imagens positivas referente ao objeto do medo; 
c) O terceiro grupo não recebeu absolutamente nada. 

O resultado dessa pesquisa revelou que as crianças dos dois primeiros grupos, passaram a não ter mais tanto medo e que passar informações positivas parece ser a maneira mais adequada de corrigir os medos adquiridos verbalmente. 

Esses resultados são bastante interessantes, principalmente porque demonstra que a informação positiva, que é parte integrante parte da maioria dos programas de psicoterapia, representa uma estratégia viável para reduzir o medo, principalmente quando esse medo foi induzido por meio de informações negativas. 


Fonte:
Peter Muris*, Jorg Huijding, Birgit Mayer, Wendy van As, Sharon van Alem - Reduction of verbally learned fear in children: A comparison between positive information, imagery, and a control condition - J. Behav. Ther. & Exp. Psychiat. 42 (2010) 139:144. 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O papel da brincadeira no desenvolvimento cognitivo.

 As brincadeiras e jogos nos primeiros anos de vida de criança requerem habilidades para transformar objetos e ações, mesmo que simbolicamente. Ao fazer isso, a criança desenvolve habilidades de planejamento de ações, de negociações, de resolver problemas e principalmente de direcionar ações para atingir metas. 

Isso leva ao desenvolvimento de representações mentais que é importante para as habilidades acadêmicas, como: leitura, compreensão, uso de símbolos matemáticos e outras habilidades acadêmicas. E não é só isso! Quando a criança brinca, se utiliza muito da fala: forma frases simples, utiliza substantivos e verbos, nomeia figuras, usa os pronomes “eu” e “você”, elabora pensamentos simples, reproduzir pequenas sequencias de fatos e/ou histórias. E essa habilidade desenvolvida através dos jogos e muito importante para a alfabetização.

Quando se brinca com jogos de regras, por exemplo, as crianças acabam por desenvolver a compreensão do todo e noções de seguir e executar regras previamente determinadas, e essas, são habilidades necessárias para o sucesso escolar. Outro fator bastante positivo é o convívio social desencadeado pelos jogos. Crianças sem um convívio social adequado podem desenvolver no futuro: ansiedade social, solidão, depressão e baixo autoestima e problemas escolares.

Existe uma série de evidências que apontam uma correlação entre as competências cognitivas e as brincadeiras de boa qualidade. Portanto, se a criança não tiver oportunidades de brincar e jogar adequadamente, sua capacidade relacionada com a resolução de problemas, habilidades sociais e desempenho acadêmico, pode ser diminuída, pois essas habilidades complexas, que envolvem diversas áreas do cérebro são mais susceptíveis a se desenvolver e prosperar em um ambiente rico e com brincadeiras de alta qualidade.

Fonte:
The Role of Pretend Play in Children's Cognitive Development
Doris Bergen - Miami University

Rosani Aparecida Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br

Neurônios no Divã

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Rede social e estruturas cerebrais

Segundo pesquisadores do Instituto UCL de Neurociência Cognitiva e do Wellcome Trust Centre for Neuroimaging - Tamanho da rede social online reflete a estrutura cerebral. 

Esses pesquisadores estudaram tomografias do cérebro de 125 estudantes universitários - todos usuários ativos do Facebook - e comparou seus achados com o tamanho de sua rede social online. 

Eles descobriram uma forte ligação entre o número de amigos no Facebook e a quantidade de massa cinzenta em várias regiões do cérebro, incluindo a região da amígdala, que é uma região relacionada às respostas emocionais. 

Outra região do cérebro com forte ligação entre o número de amigos no Facebook é o córtex entorrinal direito que está relacionada a formação da memória associativa como memória para nomes e rostos. 

Esses achados apoiam a teoria de que as maiorias dos usuários de Internet utilizam serviços online de redes sociais para manter, reforçar ou solidificar suas relações existentes offline.

Mas esse estudo não pode determinar se a relação entre a estrutura cerebral e participação na rede social surge ao longo do tempo através da aquisição de novas amizade ou, se os indivíduos com uma estrutura cerebral específica estão mais predispostos a adquirir mais amigos do que outros. 

Fonte:
R. Kanai, B. Bahrami, R. Roylance, G. Rees. Online social network size is reflected in human brain structure. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 2011; DOI: 10.1098/rspb.2011.1959

Rosani Ap. Antunes Teixeira
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

TDAH e atividades ao ar livre

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é o distúrbio mais comumente diagnosticado em crianças, caracterizando-se por desatenção, dificuldades de concentração, hiperatividade e pouco controle sobre os impulsos. E está frequentemente associado a notas baixas, dificuldades de leitura, dificuldade em matemática, maiores taxas de repetência, baixos índices de graduação, baixa interação social, conflitos constantes com família e colegas, frequentes rejeições e pouquíssimas amizade.

Em um estudo recente, Andrea Faber Taylor e seus colaboradores analisaram 421 crianças com diagnóstico de TDAH e verificaram que aquelas crianças que tem como rotina jogar e brincar em ambientes ao ar livre e com bastante verde possuem sintomas mais leves de TDAH quando comparado com crianças que brincam e jogam dentro de casas ou ambientes fechados.

Evidências anteriores sugerem que as exposições a prática de atividades ao ar livre teriam como resultado uma redução imediata nos sintomas além de ser bastante eficaz a curto e longo prazo.

Além disso, as evidências levam a crer na possibilidade de que crianças com TDAH, pode se beneficiar dessas atividades como um complemento valioso para o seu tratamento. Sem contar que as atividades ao ar livre são relativamente fácil, barata e facilmente acessível para a maioria das famílias.

E segundo os autores, devemos considerar a obtenção de exposição a prática de atividades e jogos ao ar livre como uma opção viável no kit de ferramentas de tratamentos para crianças com TDAH, dada sua comprovada eficácia e praticabilidade.

Fonte:
Andrea Faber Taylor, Frances E. Ming Kuo. Could Exposure to Everyday Green Spaces Help Treat ADHD? Evidence from Children's Play Settings. Applied Psychology: Health and Well-Being, 2011; 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Jogos de videogame melhoram a percepção e cognição?

Nós sabemos que os jogadores de videogames sempre superam os não jogadores, mas será mesmo que as práticas de jogos aumentam as habilidades de percepção e cognição? 

As evidência sugerem uma forte relação entre a experiência de jogo e outras habilidades cognitivas, mas deficiências metodológicas ainda não nos deixam conhecer a verdade. 

Walter R. Boot, Daniel P. Blakely e Daniel J. Simons do departamento de psicologia da Universidade de Florida - USA discutem esses dados em seu novo artigo “Do action video games improve perception and cognition? Na revista Frontiers in Psychology, 2011. 

Um dos princípios fundamentais da aprendizagem é que o desempenho melhora com a prática. E interessante verificar que isso ocorre quando os participantes são treinados em tarefa cognitiva, geralmente seu desempenho é muito melhor na segunda vez. No entanto, em estudos com treinamento de jogos de vídeo verificam-se que os grupos controles não melhoram seu desempenho quando repete as mesmas tarefas após o treinamento. 

E em estudos comparativos entre jogadores e não jogadores onde se verifica um melhor desempenho dos jogadores quando comparado com os não jogadores, mas a diferença pode não ser causada pelo treinamento do jogo: as pessoas podem se tornar jogadores, porque possuem habilidades necessárias para se destacar nesses jogos, e não porque os jogos influenciaram nas habilidades. 

Os autores destacam ainda, que o jogo é uma grande promessa como uma técnica de treinamento para transferências de habilidades. E que estudos futuros poderão ajudar a definir a extensão dos possíveis benefícios dos jogos para a percepção e cognição. E o mais importante, tal teste podem ter implicações muito além da pesquisa e podem chegar até a ajudar os pesquisadores a desenvolver intervenções para tratar distúrbios de visão, distúrbios atencionais e minimizar os efeitos do envelhecimento cognitivo. 


Fonte:
Walter R. Boot, Daniel P. Blakely, Daniel J. Simons. Do Action Video Games Improve Perception and Cognition? Frontiers in Psychology, 2011; DOI:10.3389/fpsyg.2011.00226


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Emagrecimento - Cérebro pode sabotar os esforços para perder peso!!!

Segundo matéria publicada em 19 de setembro de 2011 no Science News (Magazine of the Society for Science & the Public), o cérebro pode sabotar os esforços para perder peso! Em pessoas obesas, mesmo quando o cérebro sabe que o corpo não está com fome, ele responde à comida como se ainda não estivesse saciado.

Para esse estudo, foram recrutados 14 voluntários, nove magros e cinco obesos. Os voluntários foram submetidos a exames de imagens no momento em que viam fotos de vários alimentos como sorvetes, batatas fritas, couve-flor e saladas. Durante todo o processo, os pesquisadores pediam para que os participantes mostrassem o seu nível de fome e o quando eles gostariam de comer determinados alimentos. Também foram monitorados os níveis de açúcares no sangue de cada participante.

Quando a glicemia estava baixa, todos os voluntários relataram que gostariam de comer diversos alimentos, principalmente aqueles de alto teor calórico. 

As tomografias cerebrais revelaram que partes do cérebro que controlam a razão e a força de vontade, como o córtex pré-frontal, ficavam inativas quando a glicemia estava baixa, enquanto que regiões que promovem a alimentação e oferece reforço positivo ligado a se alimentar estavam bastante ativadas. 

Quando a glicemia estava alta, ou seja, o participante já tinha se alimentado e estava saciado, partes do cérebro que controlam a razão e a força de vontade estavam bastante ativadas e regiões que promovem a alimentação e oferece reforço positivo ligado a se alimentar estavam inativas. 

A surpresa, segundo Robert Sherwin, endocrinologista da Universidade de Yale, co-autor do estudo, foi que a parte do cérebro que permite que as pessoas conscientemente exerçam força de vontade para não ingerir alimentos ficam inativas em pessoas obesas. Isto sugere que quando as pessoas obesas tentam perder peso, eles podem encontrar-se no lado mais fraco da batalha, pois o centro neural (seu cérebro) incentiva-os a comer.


Fonte: 




Rosani Ap. Antunes Teixeira
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pílulas anticoncepcionais afetam a memória

Essa foi à conclusão que chegaram os pesquisadores da Universidade da Califórnia. 

A pesquisa publicada no Neurobiology of Learning and Memory, mostra que mulheres que tomam anticoncepcionais orais (pílulas), possuem alterações na memória emocional.

Os pesquisadores avaliaram setenta e duas mulheres, estudantes de graduação e pós-graduação da University of California com idade entre 18 e 35 anos. Foram comparados os resultados de 32 mulheres com ciclos hormonais normais e 34 que tomavam pílulas anticoncepcionais. 

O experimento consistia em mostrar fotos de uma mãe, seu filho, e um acidente de carro. A história foi composta por 11 slides, e as imagens nos slides eram idênticos entre as duas versões da história, mas a narrativa de áudio era diferente, em uma das versões era informado que o carro havia batido, enquanto outros disseram que o carro tinha atingido o garoto e o ferido gravemente.

Uma semana depois, todas as participantes passaram por teste surpresa sobre o que se lembra dessa história. As mulheres que usam contraceptivos hormonais por apenas um mês lembrado de forma mais clara os principais evento traumático (que tinha havido um acidente, que o menino havia sido levado às pressas para o hospital, que os médicos tentavam salvar a sua vida). Já as mulheres que não usavam contraceptivos lembraram-se de muito mais detalhes, (como por exemplo, um hidrante ao lado do carro).

Essas descobertas podem ajudar a responder perguntas muito mais complexas como: Porquê as mulheres tem síndrome de estresse pós traumático com mais frequência do que os homens? Como os homens se lembram de acontecimentos de maneira diferente das mulheres?

Segundo os pesquisadores, os homens mantêm a essência da história e não os detalhes e mulheres usuárias de tal método contraceptivo pode se lembrar de eventos emocionais de forma semelhante aos homens.


Fonte:
Shawn E. Nielsen, Nicole Ertman, Yasmeen S. Lakhani, Larry Cahill. Hormonal contraception usage is associated with altered memory for an emotional story. Neurobiology of Learning and Memory, 2011; 96 (2): 378 DOI: 10.1016/j.nlm.2011.06.013


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Insônia

A insônia é um dos mais prevalentes de todos os distúrbios do sono. Aproximadamente 30% da população relatam experiências com sintomas de insônia e, ocasionalmente, 10% sofrem de insônia crônica. A insônia é caracterizada por dificuldades em iniciar o sono, manter o sono, acordar cedo demais ou ainda, ter um sono não reparador. 

As pessoas geralmente relatam outros problemas relacionados à insônia como fadiga, sonolência, perturbações do humor, comprometimento da atenção, e déficits de memória. 

Vários fatores podem ocasionar a insônia:
Preocupações com o trabalho, família, saúde, escola, etc.;
• Problemas de relacionamento e dificuldades nas relações afetivas;
• Ansiedade e/ou Depressão;
• Uso de determinados medicamentos; 
• Barulhos e/ou luzes;
• Ingestão de cafeína, álcool, nicotina, etc;
• Mudanças de horários constantes;

Algumas mudanças simples podem ajudar a estabelecer um hábito regular de sono, evitando assim os problemas com a insônia. Procure sempre deixar o quarto de dormir silencioso, escuro e com temperatura agradável; ter sempre um horário fixo para deitar e levantar; não ingerir bebidas alcoólicas, e bebidas que contenham estimulantes ou cafeína, evitar o uso do tabaco e a ingestão de muita comida ao anoitecer.

E quando a insônia estiver interferindo no seu dia a dia, procure ajuda especializada. Uma pesquisa feita em Québec no Canada, pelo pesquisador Morin C. M., mostrou que a psicoterapia é eficaz para mais de 70% dos pacientes e ajudam tanto na fase inicial do sono quanto na sua manutenção. Além disso, a psicoterapia permite que muitos pacientes recuperem a sensação de controle sobre o sono, diminuindo assim o sofrimento emocional causado por esse distúrbio.

Fonte:
Cognitive-behavioral approaches to the treatment of insomnia. (Morin M. C.)   J. Clin Psychiatry. 2004;65 Suppl 16:33-40.

Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Diferenças entre os sexos

Os pesquisadores analisaram os dados de saúde de 43.093 pessoas nos EUA, 57% mulheres, entre os anos de 2001 e 2002 e chegaram à conclusão que os homens são mais propensos a personalidade anti-social e transtorno por abuso de substâncias e as mulheres desenvolvem mais transtorno de humor e ansiedade

Descobriram que mulheres têm maior probabilidade de internalizar as emoções, o que normalmente resulta em solidão e depressão. E acreditam que esse resultado esteja relacionado com o fato de mulheres ficarem remoendo seus problemas e suas emoções, ao invés de engajar-se para solucionar problemas menos intenso.

Os homens, por outro lado, exteriorizam mais suas emoções, o que o torna mais agressivo e impulsivo e consequentemente anti-social.


Essa pesquisa ainda sugere tratamento diferenciado para os sexos:

  • Para as mulheres, o tratamento pode se concentrar em prevenir os pensamentos recorrentes de situações depressivas;
  • Para os homens deve basear-se em moldar tendências agressivas e prevenir os comportamentos impulsivos.


Fonte:
Nicholas R. Eaton, Katherine M. Keyes, Robert F. Krueger, Steve Balsis, Andrew E. Skodol, Kristian E. Markon, Bridget F. Grant, Deborah S. Hasin. An invariant dimensional liability model of gender differences in mental disorder prevalence: Evidence from a national sample.
Journal of Abnormal Psychology, 2011; DOI:10.1037/a0024780


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Transtorno Obsessivo-Compulsivo ( TOC ) Novas Pesquisas

O TOC é um transtorno de ansiedade que geralmente tem início na adolescência, mas pode começar na infância. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o ano 2020 o TOC estará entre as dez causas mais importante de comprometimento por doença. 

Esse transtorno é caracterizado pela presença de obsessões e compulsões e na maioria das vezes, causam muito sofrimento, consomem muito tempo e interferem com o funcionamento normal da pessoa. 

As obsessões são ideias, imagens ou pensamentos que invadem a mente do indivíduo, independentemente da sua vontade, por exemplo: pensamentos de ser contaminado pela sujeira ou germes ou pensamentos de ter agredido alguém, etc. 

As compulsões são comportamentos repetitivos e estereotipados que o indivíduo é levado a executar para reduzir a ansiedade causada por uma obsessão ou para prevenir algum evento temido, por exemplo: limpar as mãos excessivamente para não adoecer.

Assim como no transtorno de pânico, o tratamento é medicamentoso (Inibidores seletivos da receptação da serotonina) com o objetivo de minimizar os sintomas e psicoterápico (psicoterapia) que ajuda o paciente a lidar com a ansiedade, ajuda a não se envolver na compulsão e a melhorar sua qualidade de vida. 

Uma recente pesquisa feita pela Universidade de Cambridge e Universidade de Amsterdã, postula que as compulsões podem ser os precursores para a desordem e que as obsessões seriam simplesmente a forma que o cérebro encontrou para justificar esses comportamentos.

Se você sofre com este tipo de problema, procure ajuda especializada e não deixe que ele atrapalhe sua vida!!



Fonte: 
C. M. Gillan, M. Papmeyer, S. Morein-Zamir, B. J. Sahakian, N. A. Fineberg, T. W. Robbins, S. de Wit. Disruption in the Balance Between Goal-Directed Behavior and Habit Learning in Obsessive-Compulsive Disorder. American Journal of Psychiatry, 2011; DOI:10.1176/appi.ajp.2011.10071062.


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Transtorno do pânico

Em uma crise de pânico o ar parece que vai faltar, o coração dispara, o suor torna-se intenso, a boca seca, sente-se um grande mal-estar e uma sensação terrível de que algo muito, muito ruim vai acontecer.. E essas crises podem acontecer sem nenhum aviso prévio! 

A síndrome do pânico costuma ter início no começo da vida adulta, e geralmente aparece em situações de muito estresse e pressões, no trabalho, na família, etc. 

Os sintomas fisiológicos do ataque de pânico são: falta de ar, coração acelerado, tonturas, dor no peito, sudorese, ondas de calor, tremores, sufocamento, náuseas e dormência. E as de natureza psicológica são: sensação de irrealidade, medo de perder o controle e medo de morrer. 

Felizmente, esse transtorno possui tratamento (medicamentoso e psicoterápico), que tem como objetivo eliminar todos os sintomas do pânico para que a pessoa volte a ter uma vida normal, prazerosa, produtiva e com muita qualidade de vida. 

As medicações para o transtorno de pânico ajudam a reduzir e prevenir os sintomas e podem ser: Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), Inibidores de recaptação de noradrenalina e serotonina (IRNS),  Antidepressivos tricíclicos ou ainda Benzodiazepínicos. 

A psicoterapia pode ajudar na compreensão da crise de pânico, no desenvolvimento de estratégias para lidar com a doença e com técnicas para controlar a ansiedade. 

Então, ao perceber sinais que indicam transtorno do pânico, não perca tempo!!! Procure ajuda especializada. 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Transtorno de Ansiedade

Existem muitos tipos de transtornos de ansiedade, e incluem o “transtorno do pânico”, “transtorno obsessivo compulsivo”, “transtorno de estresse pós-traumático”, “transtorno de ansiedade social”, “fobias específicas” e “transtorno de ansiedade generalizada”. 

Então vamos falar um pouco sobre a ansiedade. A ansiedade é uma emoção normal que todos nós experimentamos em determinados momentos de nossas vidas. A maioria das pessoas se sentem ansiosas quando tem algum problema a ser resolvido no trabalho, antes de fazer algum teste/prova, antes de tomar alguma decisão importante, ou ainda, quando algo importante está prestes a acontecer. Isso é a coisa mais natural do mundo. 

Mas o problema está justamente quando essa ansiedade começa a causar sofrimento, impedindo a pessoa em levar uma vida normal e saudável. Para a pessoa com transtorno de ansiedade a preocupação e o medo são constantes e muito intensos, podendo até se tornar incapacitante. 

Os sintomas gerais desses transtornos são: 
Sentimento de pânico; 
• Medo incontrolável;
• Pensamentos obsessivos e repetitivos;
• Comportamentos ritualizados;
• Problemas para dormir;
• Falta de ar;
• Palpitações;
• Tonturas;
• Náuseas e outros.

As causas desses transtornos ainda não são muito bem conhecidas, mas, muitos dos distúrbios são causados por uma combinação de fatores, entre eles alterações cerebrais e estresse ambiental. Dentre as mudanças cerebrais podemos destacar que o estresse grave ou de longa duração pode mudar o equilíbrio de substâncias químicas no cérebro. E dentre as causas ambientais podemos dizer que determinados fatores ambientais (como um trauma, por exemplo) pode desencadear um transtorno de ansiedade. 

O tratamento pode ser feito através de medicamentos (antidepressivos e ansiolíticos), psicoterapia (ajuda a lidar com os problemas emocionais causados pela doença) e mudanças no estilo de vida

Nas próximas publicações, vou falar um pouco mais sobre cada um dos transtornos separadamente! Até a próxima!

Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Síndrome de Down - Novas descobertas

A Escola de medicina da Universidade do Colorado está completando um grande teste com um medicamento que pode impulsionar a função cognitiva nos pacientes com síndrome de Down, melhorando significativamente sua qualidade de vida e seu potencial.

Em 2007, o cientista Alberto Costa e sua equipe demonstraram que a droga Memantina pode melhorar a função de memória em ratos com síndrome de Down. Nesse estudo atual, eles estão usando a droga em 39 pessoas com síndrome de Down e espera que a memória e aprendizagem tenham uma melhora significativa.

A Síndrome de Down é um distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 extra (trissomia),  e normalmente, essas crianças possuem certas características comuns:

  • Pequenas dobras de pele no canto dos olhos;
  • Língua aumentada e proeminente;
  • Achatamento da parte de trás da cabeça;
  • Orelhas menores;
  • Boca pequena;
  • Mãos e pés pequenos;
  • Algum grau de deficiência intelectual que na maioria dos casos varia de leve a moderada.
Até este momento, não existe um tratamento específico para síndrome de down a fim de reverter a trissomia do cromossomo 21. E o tratamento para essas crianças é na verdade, uma série de medidas para tratar os problemas clínicos decorrentes da síndrome e também uma série de medidas de estimulação precoce para aproveitar todo o potencial da criança.


Fonte: University of Colorado Denver (2011, August 1). Drug may increase cognition for people with Down syndrome. ScienceDaily. 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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sábado, 30 de julho de 2011

TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) em Adultos.

O déficit de atenção e hiperatividade é um transtorno bem conhecido que se inicia na fase do desenvolvimento infantil e se caracteriza por desatenção, hiperatividade e impulsividade. 

Sabe-se que esses sintomas continuam na idade adulta, porem poucos adultos com TDAH são realmente identificados e tratados. Alguns sintomas como: dificuldades em seguir instruções, lembrar-se de informações importantes, concentrar-se, organizar tarefas, terminar trabalhos dentro de limites pré estabelecido e etc podem ser indícios desse transtorno no adulto.

Devido a essas dificuldades descritas acima, existem uma série de outros sintomas associados:

• Ansiedade e/ou Depressão;
• Baixa autoestima;
• Dificuldade em controlar a raiva;
• Abuso de substâncias (dependência química);
• Desorganização;
• Baixa tolerância à frustração;
• Problemas de relacionamento.

Esses comportamentos podem ser mais leves ou mais intensos e podem ser encontrados apenas alguns desses comportamentos ou vários deles e ainda podem variar de acordo com a situação em que a pessoa está vivendo. 

Se você estiver sofrendo com esses sintomas, não deixe de procurar ajuda especializada! Procure um médico especializado para que o diagnóstico correto seja feito. E inicie o tratamento mais apropriado para o seu caso (medicamentoso ou não). 

Alguns tratamentos podem ser bastante benéficos para adultos com TDAH:

Terapia Individual que visa aumentar a autoestima, reduzir o stress, a ansiedade e a depressão, além de ajudar a lidar com a frustração e raiva e de promover a melhora na capacidade em lidar com as situações difíceis.

Treinamento comportamental para ensinar a pessoa estratégias para organizar a casa, as atividades no trabalho, para controlar seu comportamento impulsivo, reduzir as distrações ao longo do dia e para encontrar soluções para o excesso de energia.


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
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terça-feira, 19 de julho de 2011

TDAH, TDA e Problemas de Aprendizagem

Segundo os pesquisadores Zubair Kabir, Gregory N. Connolly and Hillel R. Alpert, as crianças expostas ao fumo parecem ter um risco maior de desenvolver distúrbios neuro-comportamentais como o TDAH, TDA e problemas de aprendizagem. Essa pesquisa foi conduzida pelo Harvard School of Public Health (HSPH) e publicada na revista científica Pediatrics July 11, 2011 com o título "Exposição ao fumo passivo e Distúrbios Neuro-comportamentais entre as crianças nos Estados Unidos".

A pesquisa contou com a participação de 55.358 crianças americanas com idade menor que 12 anos. E verificou que 6% dessas crianças foram expostas ao fumo. Destas, 8,2% apresentaram problemas de aprendizagem, 5,9% apresentaram TDAH ou TDA e 3,6% apresentaram transtorno de conduta ou distúrbios comportamentais. 

As crianças expostas ao fumo, segundo os pesquisadores, tinham uma chance 50% maior de desenvolver distúrbios neuro-comportamentais em comparação com crianças não expostas, meninos e crianças mais velhas entre 9 e 11 anos parecem ter um risco ainda maior. 

Faz muitos anos que ouvimos falar diariamente sobre os danos que o cigarro causa ao organismo humano: CÂNCER, INFARTOS, ENFISEMA, etc.
Mas se isso não foi o suficiente para você abandonar de uma vez esse vício, quem sabe agora?!?!?!

Para saber mais: "Secondhand Smoke Exposure and Neurobehavioral Disorders Among Children in the United States." Zubair Kabir, Gregory N. Connolly, and Hillel R. Alpert - Pediatrics 2011; peds.2011-0023 Published ahead of print July 11, 2011, doi:10.1542/peds.2011-0023


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Derrame cerebral (AVC) - contado por uma neurocientista

Na manhã de 10 de dezembro de 1996, aos 37 anos, a neurocientista americana Jill Bolte Taylor, acordou com uma terrível dor de cabeça, bem atrás do olho esquerdo. Logo após, ela percebe que sua coordenação muscular também estava prejudicada. Baseado em suas experiências como neurocientista, ela logo percebeu que estava sendo vítima de um acidente vascular cerebral ou popularmente chamado "derrame cerebral". 

Durante quatro horas, a neurocientista presenciou seu cérebro transformar-se e no fim daquela manhã, já não conseguia andar, falar, ler, escrever ou lembrar informações básicas da minha vida. Segundo ela, num primeiro momento ficou bastante aflita, mas, no instante seguinte ficou animada pois pensava: "Quantos cientistas têm a oportunidade de estudar as funções do cérebro e sua deterioração de dentro para fora?".

Hoje, depois de uma incansável batalha, ela recuperou completamente suas funções físicas e mentais e essa experiência lhe rendeu um livro, "A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro", que foi lançado no Brasil em 2008.

Assista a Palestra "My Stroke of Insight" da Dra. Jill Bolte Taylor, neurocientista de Harvard, sobre sua experiência com seu derrame em 1996. Retirado do youtube.



Rosani Ap. Antunes Teixeira
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domingo, 3 de julho de 2011

Acidente vascular cerebral

Acidente vascular cerebral (AVC) ou acidente vascular encefálico (AVE) é o nome correto do que antigamente se costumam chamar de derrame cerebral. E é uma das doenças que mais matam no Brasil e no mundo. Em 2015 esperam-se 18 milhões de casos novos de acidente vascular cerebral e, em 2030, 23 milhões de novas ocorrências.

No AVC hemorrágico um vaso se rompe e o sangue extravasa alagando uma área da massa cinzenta do cérebro e no AVC isquêmico, uma obstrução de uma artéria bloqueia o fluxo de sangue que deveria irrigar uma determinada região cerebral. Nos dois casos o resultado é o mesmo: as células (neurônios) das áreas afetadas morrem, causando inúmeras sequelas.

Alguns fatores de risco para a AVC são: idade, sexo, hereditariedade, tabagismo, uso abusivo de álcool, hipertensão arterial (pressão alta), colesterol elevado, diabetes, sedentarismo e outras doenças cardíacas. 

A melhor forma de prevenir a doença é identificar e tratar os fatores de risco. Controlar a hipertensão, o diabetes mellitus, o colesterol elevado, cessar o tabagismo e o etilismo, além de reconhecer e tratar problemas cardíacos existentes são essenciais. Pois em muitos casos as incapacitações decorrentes de um AVC são devastadoras para o paciente e sua família.

Algumas terapias podem ajudar muito aos pacientes acometidos:

Fisioterapia tem como objetivo fazer o paciente reaprender atividades motoras como: caminhar, sentar, ficar em pé, deitar e etc., utilizando para isso muito treinamento e exercícios.

Neuropsicologia ou reabilitação cognitiva é um tratamento destinado a recuperação ou adaptação das funções perdidas e se utiliza de:
1:. Treino cognitivo e exercícios voltados para o fortalecimento e restauração da função;
2:. Compensação e estratégias voltadas para a substituição e adaptação de funções perdidas;
3:. Reestruturação e planejamento do ambiente onde o paciente vive.

Fonoaudiologia tem como objetivo ajudar os pacientes a compreender a fala ou palavras escritas e para aqueles com dificuldade em falar o objetivo é reaprender a linguagem.

Psicologia clínica tem como objetivo ajudar no tratamento de problemas como depressão, ansiedade, frustração, raiva, aceitação da doença, etc.


Rosani Aparecida Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
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terça-feira, 21 de junho de 2011

Esclerose Múltipla e Psicoterapia

Em Londres na Universidade de Nottingham, os pesquisadores oferecem apoio emocional às pessoas com esclerose múltipla através de sessões em grupo de psicoterapia que visa uma melhor qualidade de vida. 

No Reino Unido, a depressão e a ansiedade são comuns entre os portadores da esclerose múltipla, uma condição neurológica que afeta cerca de 100.000 pessoas. 

Esse atendimento faz parte de um grande estudo multicêntrico sobre a questão de determinar se a psicoterapia deve ser incorporada aos serviços de esclerose múltipla atualmente prestado para a comunidade. 

A professora Nadina Lincoln, do Instituto da Universidade do Trabalho, da Saúde e Organizações, conduziu o estudo que foi financiado pela Sociedade de Esclerose Múltipla. Os resultados mostram que as pessoas que participaram das sessões de grupos terapêuticos tinham menos problemas de ansiedade e depressão, um menor impacto da doença na sua vida diária e também uma melhor qualidade de vida.

A próxima etapa da investigação será avaliar se a terapia de grupo funciona igualmente bem em outros centros, através de um estudo maior com a esperança de que o tratamento possa ser amplamente fornecido para todos os portadores de esclerose múltipla em outras áreas do país. 

Segundo Susan Kohlhass da Sociedade de Esclerose Múltipla: "Sessão de grupo pode reduzir a ansiedade e a depressão é melhorar a qualidade de vida das pessoas com EM. Estamos comprometidos com esse trabalho que irá em breve beneficiar inúmeras pessoas com a doença”.

Se o Brasil seguisse o exemplo do Reino Unido certamente teríamos um avanço significativo na qualidade de vida e na saúde do nosso povo!!!

Este estudo está disponível através da revista OnlineFirst seção na web:


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vídeo - Esclerose Múltipla

A Esclerose Múltipla é uma doença inflamatória crônica que acomete, em geral, indivíduos jovens e provoca dificuldades motoras e sensitivas que comprometem muito a qualidade de vida de seus portadores.

Não se conhece ainda as reais causas da doença, mas sabe-se que sua evolução difere de uma pessoa para outra e que é mais comum em mulheres e em indivíduos de pele branca.

Esse excelente vídeo retirado do youtube fala sobre a doença Esclerose Múltipla e explica como a doença age no organismo.




Com alguns cuidados como: redução do estresse, alimentação equilibrada e repouso adequado, muitas pessoas que sofrem de EM levam vidas produtivas e felizes.

Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

terça-feira, 14 de junho de 2011

A família no Alzheimer

O vídeo abaixo é uma homenagem de uma filha a sua mãe com Alzheimer.

É um filme emocionante, e nós faz refletir sobre a situação dos parentes e familiares do paciente com essa doença. Não é só o paciente de Alzheimer que necessita de cuidados, a família sofre e muito com a progressão da doença... não ser reconhecido pelo esposo sempre tão amoroso, pela mãe que já não sabe mais quem é você... sim, isso acontece aos familiares desses pacientes, é muito triste e doloroso, e infelizmente não tem solução.

Os familiares precisam de assistência e cuidado para compreender e aceitar esses sintomas, para trabalhar com as angústias de ver progressivamente a pessoa querida perdendo as memórias, as lembranças e autonomia. Como aceitar que o pai, chefe de família, que sempre foi independente, trabalhou a vida inteira e sustentou a família, com a progressão do Alzheimer necessite de ajuda para ir ao banheiro e não tenha controle dos esfíncteres? Simplesmente, não é simples nem fácil....

 



Daniela Tsubota Roque  e   Rosani Ap. Antunes Teixeira

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Reabilitação cognitiva para adultos com TDA/TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção)

A reabilitação cognitiva é um tratamento destinado a ajudar pessoas com problemas neurológicos para melhorar diversos aspectos do funcionamento cognitivo. O que muita gente não sabe é que a reabilitação pode ajudar muito adultos com TDAH/TDA. 

Um dos pontos abordados na reabilitação cognitiva é a mudança no estilo de vida. Sabe-se que o sono adequado, boa nutrição e exercícios físicos regulares podem reduzir o estresse e com isso ter um impacto muito positivo sobre o funcionamento cognitivo. 

Um dos focos da reabilitação cognitiva é ajudar os adultos com DDA (TDAH) a identificar estratégias para minimizar alguns dos principais problemas enfrentados pela TDAH/TDA: 

· Gestão do tempo; 

· Gestão do dinheiro; 

· Esquecimento; 

· Desorganização. 

O desenvolvimento de estratégias compensatórias e auxiliares (cronômetros, relógios programáveis, softwares, assistentes digitais pessoais e outros) torna possível para o TDAH/TDA aprender a administrar melhor seu tempo, cumprindo todos seus compromissos sem esquecimentos, cumprindo prazos pré-estabelecidos através da organização de suas atividades. 

A reabilitação cognitiva também se preocupa com as mudanças ambientais. Sabemos que pessoas com TDAH/TDA em ambientes favoráveis podem ter um desempenho melhor e bastante satisfatório e um dos papéis da reabilitação cognitiva é justamente encontrar formas de alterar o ambiente físico e social para melhorar o funcionamento cognitivo. 

Além disso, a reabilitação cognitiva e a psicoterapia ajuda no auto-conhecimento, na compreensão do seu próprio funcionamento, na identificação questões emocionais e interpessoais, que muitas vezes é um desafios para adultos com TDAH/TDA. 

Nossa experiência clínica mostra que sessões de psicoterapia/reabilitação fornecem estrutura, suporte e estratégias práticas eficazes para ajudar o adulto com TDA (TDAH) a enfrentar os desafios diários de sua vida e avançar no sentido de cumprir o seu verdadeiro potencial e alcançar seus objetivos.


Rosani Aparecida Antunes Teixeira
Neurônios no Divã
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Alzheimer - Reabilitação Memória (parteII)

Vou continuar a falar sobre a doença de Alzheimer e reabilitação cognitiva, só que desta vez, falarei sobre reabilitação da memória. Sabemos que a deterioração da memória de curto prazo e a capacidade de aprender informações novas é um sintoma característico da demência do tipo Alzheimer. 

Os idosos passam a ter dificuldades em lembrar nomes, datas, faces, instruções, os passos para realização de determinada tarefa, os nomes das coisas, e outras informações importantes para a vida cotidiana. Esses esquecimentos algumas vezes podem ser perigosos tanto para o próprio idoso como para os seus familiares. Por exemplo: o idoso pode esquecer onde reside e/ou como se faz para voltar para casa e ficar vagando totalmente perdido, ou ainda, pode sair de casa e esquecer o forno ou ferro de passar ligados...

Por esse motivo esse comprometimento da memória pode ser estressante para os familiares e/ou cuidadores. Obviamente, não existem intervenções farmacológicas que possam reverter o declínio cognitivo, mas há intervenções que pelo menos, melhoram temporariamente a capacidade de se lembrar. A Reabilitação cognitiva se concentra em remediar os déficits cognitivos, com o objetivo de melhorar ou manter as habilidades cognitivas ainda preservadas.

Estas intervenções envolvem: 

(a) Fornecer estímulos do meio ambiente para melhorar a recordação, 

(b) Intervir diretamente com o idoso para melhorar sua capacidade de recordar as informações importantes.

Para isso podemos utilizar as estratégias auxiliares externas que são bastante utilizados para complementar a memória, entre elas destacam-se as listas (lista de compras, afazeres, etc), agendas com nomes e contato de familiares e informações importantes, etiquetas para identificar o que está dentro de cada gaveta e armário entre outras. As aplicações são inúmera e bastante variáveis, e portanto, muito práticas. 

E claro que, para essas estratégias serem eficazes, muitas vezes é preciso ensinar ao idoso sempre olhar as etiquetas das gavetas para depois pegar o objeto que necessita, ou ainda, sempre verificar a lista de compras durante às compras, ou então, não esquecer de consultar a agenda, etc. 

Outra intervenção bastante utilizada é o livro pessoal. Esses livro consiste em uma série de páginas que retratam a vida do idoso. Nele se encontram fotos de amigos e familiares com os seus respectivos nomes e parentescos, descrições sobre pessoas, lugares ou qualquer outra coisa que tenha um significado importante. Assim, o idoso facilmente encontra o nome da pessoa com quem está conversando e outros informações, facilitando não só suas conversas mas também o seu comportamento social, geralmente bastante afetado pela doença.


Fonte:
Jeffrey A. Buchanan, Angela Christenson, Daniel Houlihan and Carly Ostrom - The Role of Behavior Analysis in the Rehabilitation of Persons With Dementia - Behavior Therapy 42 (2011) 9–21.

Rosani Aparecida Antunes Teixeira
Neurônios no Divã