quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Esclerose Múltipla - Aspectos Gerais

Embora descrita há mais de 150 anos, muitos aspectos da esclerose múltipla (EM) ainda hoje são pouco conhecidos. EM é uma doença inflamatória crônica que acomete o sistema nervoso central (SNC), sendo que, após a inflamação, ocorrem cicatrizações e endurecimento (esclerose) dos locais afetados (Moreira et al., 2000).

A doença se caracteriza pela destruição da bainha de mielina, camada isoladora que protege as fibras nervosas, afetando a transmissão de mensagens entre o sistema nervoso central e o resto do corpo (Poser et al., 2004).

Segundos dados da Organização Mundial da Saúde no ano de 2008 o número de pessoas diagnosticadas no mundo era de aproximadamente 1.3 milhões de pessoas (OMS, 2008). O sexo feminino também é o mais acometido em uma proporção de 3/1 com a maioria dos casos ocorrendo na faixa entre 15 e 59 anos de idade. (Callegaro et al., 2001).

Os principais tipos são:
  • Remitente-recorrente (RR): é a forma mais frequente, encontrada em 85% dos pacientes. O quadro clínico evolui com episódios de deteriorações agudas (surtos), seguidas por recuperação (remissões) e com períodos estáveis entre as recidivas.
  • Progressivas: é a forma clínica menos frequente, caracteriza-se pela deterioração neurológica lenta e gradativa, quase continuada, a partir do início da doença (Puccioni-Sohler et al., 2001).
As disseminações de lesões que ocorrem na camada de substância branca do cérebro e nas regiões periventriculares criam alguns traços comuns de disfunções cognitivas na EM (Wishart and Skape, 1997), por isso Rao, 2001 e 2004, descreve que até 65% dos pacientes possuem algum tipo de deficiência, até mesmo nas fases iniciais da doença quando há pouca ou nenhuma inaptidão física.

Segundo Patti (2009) essas disfunções estão presentes desde o início da doença e possuem um impacto negativo na qualidade de vida desses pacientes e seus familiares.

Aspectos como funções visuoespaciais, atenção, velocidade de processamento de informações, memória e aprendizado, memória operacional e funções executivas são bastante afetadas (Laatu et al.,2001; Beatty et al., 1989, 1995 e 2001; Parmenter et al., 2006 e 2007; Rao et al., 1991, 2004).

Referências:
Moreira M. A., Felipe E., Mendes M. F., Tilbery C. P. (2000) Esclerose múltipla: estudo descritivo de suas formas crônicas em 302 casos. Arquivo Neuropsiquiatria, 58:460-466.
Poser C. M., Brinar V. V. (2004) The nature of multiple sclerosis. Clinical Neurology and Neurosurgery 106:159-171.
Callegaro D., Goldbaum M., Morais L., Tilbery C. P., Moreira M. A., Gabbai A. A. et al (2001) The prevalence of multiple sclerosis in the city of São Paulo, Brazil, 1997. Acta Neurol Scand 104:208-213.
Puccioni-Sohler M., Lavrado F. P., Bastos R. R. G., Brandão C. O., Papaiz-Alvarenga R. (2001) Esclerose múltipla: correlação clínico laboratorial. Arquivo Neuropsiquiatria 59:89-91.
Wishart H. and Sharp D. (1997) Neuropsychological Aspects of Multiple Sclerosis: A Quantitative Review Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology 19, (6):810-824
Who – World Health Organization – Multiple Sclerosis recourses in the Word – 2008.
Rao S. M., Leo G. L., Bernardim L., Unverzagt F.(1991) Cognitive Dysfunction in Multiple Esclerosis. Frequency, Patterns, and Prediction. – Neurology 41: 685-691.
Rao S. M. (2004) Cognitive function in patients with multiple sclerosis: impairment and treatment. International Journal of MS Care 1:9-22.
Laatu S., Revonsuo A., Hämäläinen P., Ojanen V., Ruutiainen J. (2001) Visual object recognition in multiple sclerosis. Journal of the Neurological Sciences 185:77-88.
Beatty W. W., Blanco C. R., Wilbanks S. L., Paul R. H., Hames K. A. (1995) Demographic, clinical and cognitive characteristics of multiple sclerosis patients who continue to work. Journal Neuro Rehab 9:167-173.
Beatty W.W.; Goodkin D.E.;Monson N.; Beatty P.A. (1989) Cognitive Disturbances in Patients With Relapsing Remitting Multiple Sclerosis – Archives of Neurology  Vol 46:1113-1119.
Parmenter B. A.; Shucard J.L.; Shucard D.W. (2007) Information processing deficits in multiple sclerosis: A matter of complexity Journal of the International Neuropsychological Society (2007), 13, 417–423.
Parmenter B.A.;Shucerd J.L.; Benedict R.B.; Schucard D.W. (2006) Working memory deficits in multiple sclerosis: Comparison between the n-back task and the Paced Auditory Serial Addition Test Journal of the International Neuropsychological Society, 12, 677–687.

Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Neuropsicologia


A neuropsicologia é uma ciência que estuda as relações entre o cérebro e o comportamento humano. Em outras palavras a neuropsicologia investiga como as diferentes lesões cerebrais afetam o comportamento e a cognição humana, e atua na elaboração de estratégias que visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e seus familiares.

A partir da resolução 002/2004, do Conselho Federal de Psicologia, reconhece a neuropsicologia como especialidade em Psicologia para fim de concessão e registro do título de Especialísta. No Brasil, o título de Neuropsicólogo é exclusivo para psicólogos que tenham comprovada formação na área e no tema.

Segundo o 3º artigo dessa resolução, o Especialista em Neuropsicologia, “Atua no diagnóstico, acompanhamento, tratamento e na pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral". (...)

Utiliza instrumentos padronizados para avaliação das funções neuropsicológicas envolvendo principalmente habilidades de atenção, percepção, linguagem, raciocínio, abstração, memória, aprendizagem, habilidades acadêmicas, processamento da informação, visuoconstrução, afeto, funções motoras e executivas. (...)

O objetivo teórico da neuropsicologia e da reabilitação Neuropsicológica é ampliar os modelos já conhecidos e criar novas hipóteses sobre as interações cérebro-comportamentais. Trabalha com indivíduos portadores ou não de transtornos e sequelas que envolvem o cérebro e a cognição, utilizando modelos de pesquisa clínica e experimental, tanto no âmbito do funcionamento normal ou patológico da cognição. (...)

A Neuropsicologia e sua área interligada de Reabilitação Neuropsicológica visam realizar as intervenções necessárias junto ao paciente, para que possam melhorar, compensar, contornar ou adaptar-se às dificuldades; junto aos familiares, para que atuem como co-participantes do processo reabilitativo; junto a equipes multiprofissionais e instituições acadêmicas e profissionais, promovendo a cooperação na inserção ou re-inserção de tais indivíduos na comunidade quando possível, ou ainda, na adaptação individual e familiar quando as mudanças nas capacidades do paciente forem mais permanentes ou a longo prazo. (...)

Desenvolve atividades em diferentes espaços:
a) Instituições acadêmicas, realizando pesquisa, ensino e supervisão;

b) Instituições hospitalares, forenses, clínicas, consultórios privados e atendimentos domiciliares (realizando diagnóstico, reabilitação, orientação à família e trabalho em equipe multidisciplinar).

Bibliografia:
Resolução CFP Nº 002/2004, do Conselho Federal de Psicologia (CFP), regulamenta a Neuropsicologia como especialidade em Psicologia, publicada no Diário Oficial da União - DOU - do dia 05 de março de 2004.




Rosani Ap. Antunes Teixeira

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios
http://www.neuroniosnodiva.blogspot.com/

 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Bem-vindos ao Neurônios no Divã


O curioso nome batizado em nosso blog reflete uma marca profissional do nosso grupo e também uma filosofia de trabalho: "sim, acreditamos em neurônio" ou "sim, neurônios existem".

Possivelmente a curiosidade e a estranheza com tais afirmação sejam reações lógicas, contudo nem sempre é isso que encontramos em nossa prática profissional. Não é incomum nos depararmos com colegas, profissionais em saúde mental, que simplesmente esquecem da existência de fatores fisiológicos no desencadeamento dos comportamentos e dos sintomas psíquicos e com isso acabam "psicologizando" tudo que vem pela frente, de gripe a joanete.

Afirmar a existência de neurônios e acreditar nos fatores fisiológicos e biológicos dos comportamentos e sintomas não é negar a indiscutível influência do psiquismo sobre a fisiologia humana. E as diversas  pesquisas em neurociências estão aí para que não esqueçamos isso (Psychotherapy Found to Produce Changes in Brain Functions Similar to Drugs).

O trabalho do psicólogo deve somar os  conhecimentos dos aspectos psicológicos e sociais aos conhecimentos biológicos e fisiólogicos, permitindo a compreensão do indivíduo como um todo e de seus comportamentos e sintomas sob a ótica multifatorial.

Nossa proposta de trabalho e visão psicológica, a despeito das nossas diferentes visões teóricas,  tem como  base a soma dos conhecimentos sobre os NEURÔNIOS e dos conhecimentos sobre o DIVÃ.

Sejam Bem-Vindos e Boa Terapia!!!!


Daniela Tsubota Roque

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios
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