sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O papel da brincadeira no desenvolvimento cognitivo.

 As brincadeiras e jogos nos primeiros anos de vida de criança requerem habilidades para transformar objetos e ações, mesmo que simbolicamente. Ao fazer isso, a criança desenvolve habilidades de planejamento de ações, de negociações, de resolver problemas e principalmente de direcionar ações para atingir metas. 

Isso leva ao desenvolvimento de representações mentais que é importante para as habilidades acadêmicas, como: leitura, compreensão, uso de símbolos matemáticos e outras habilidades acadêmicas. E não é só isso! Quando a criança brinca, se utiliza muito da fala: forma frases simples, utiliza substantivos e verbos, nomeia figuras, usa os pronomes “eu” e “você”, elabora pensamentos simples, reproduzir pequenas sequencias de fatos e/ou histórias. E essa habilidade desenvolvida através dos jogos e muito importante para a alfabetização.

Quando se brinca com jogos de regras, por exemplo, as crianças acabam por desenvolver a compreensão do todo e noções de seguir e executar regras previamente determinadas, e essas, são habilidades necessárias para o sucesso escolar. Outro fator bastante positivo é o convívio social desencadeado pelos jogos. Crianças sem um convívio social adequado podem desenvolver no futuro: ansiedade social, solidão, depressão e baixo autoestima e problemas escolares.

Existe uma série de evidências que apontam uma correlação entre as competências cognitivas e as brincadeiras de boa qualidade. Portanto, se a criança não tiver oportunidades de brincar e jogar adequadamente, sua capacidade relacionada com a resolução de problemas, habilidades sociais e desempenho acadêmico, pode ser diminuída, pois essas habilidades complexas, que envolvem diversas áreas do cérebro são mais susceptíveis a se desenvolver e prosperar em um ambiente rico e com brincadeiras de alta qualidade.

Fonte:
The Role of Pretend Play in Children's Cognitive Development
Doris Bergen - Miami University

Rosani Aparecida Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br

Neurônios no Divã

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Rede social e estruturas cerebrais

Segundo pesquisadores do Instituto UCL de Neurociência Cognitiva e do Wellcome Trust Centre for Neuroimaging - Tamanho da rede social online reflete a estrutura cerebral. 

Esses pesquisadores estudaram tomografias do cérebro de 125 estudantes universitários - todos usuários ativos do Facebook - e comparou seus achados com o tamanho de sua rede social online. 

Eles descobriram uma forte ligação entre o número de amigos no Facebook e a quantidade de massa cinzenta em várias regiões do cérebro, incluindo a região da amígdala, que é uma região relacionada às respostas emocionais. 

Outra região do cérebro com forte ligação entre o número de amigos no Facebook é o córtex entorrinal direito que está relacionada a formação da memória associativa como memória para nomes e rostos. 

Esses achados apoiam a teoria de que as maiorias dos usuários de Internet utilizam serviços online de redes sociais para manter, reforçar ou solidificar suas relações existentes offline.

Mas esse estudo não pode determinar se a relação entre a estrutura cerebral e participação na rede social surge ao longo do tempo através da aquisição de novas amizade ou, se os indivíduos com uma estrutura cerebral específica estão mais predispostos a adquirir mais amigos do que outros. 

Fonte:
R. Kanai, B. Bahrami, R. Roylance, G. Rees. Online social network size is reflected in human brain structure. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 2011; DOI: 10.1098/rspb.2011.1959

Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

terça-feira, 11 de outubro de 2011

TDAH e atividades ao ar livre

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é o distúrbio mais comumente diagnosticado em crianças, caracterizando-se por desatenção, dificuldades de concentração, hiperatividade e pouco controle sobre os impulsos. E está frequentemente associado a notas baixas, dificuldades de leitura, dificuldade em matemática, maiores taxas de repetência, baixos índices de graduação, baixa interação social, conflitos constantes com família e colegas, frequentes rejeições e pouquíssimas amizade.

Em um estudo recente, Andrea Faber Taylor e seus colaboradores analisaram 421 crianças com diagnóstico de TDAH e verificaram que aquelas crianças que tem como rotina jogar e brincar em ambientes ao ar livre e com bastante verde possuem sintomas mais leves de TDAH quando comparado com crianças que brincam e jogam dentro de casas ou ambientes fechados.

Evidências anteriores sugerem que as exposições a prática de atividades ao ar livre teriam como resultado uma redução imediata nos sintomas além de ser bastante eficaz a curto e longo prazo.

Além disso, as evidências levam a crer na possibilidade de que crianças com TDAH, pode se beneficiar dessas atividades como um complemento valioso para o seu tratamento. Sem contar que as atividades ao ar livre são relativamente fácil, barata e facilmente acessível para a maioria das famílias.

E segundo os autores, devemos considerar a obtenção de exposição a prática de atividades e jogos ao ar livre como uma opção viável no kit de ferramentas de tratamentos para crianças com TDAH, dada sua comprovada eficácia e praticabilidade.

Fonte:
Andrea Faber Taylor, Frances E. Ming Kuo. Could Exposure to Everyday Green Spaces Help Treat ADHD? Evidence from Children's Play Settings. Applied Psychology: Health and Well-Being, 2011; 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Jogos de videogame melhoram a percepção e cognição?

Nós sabemos que os jogadores de videogames sempre superam os não jogadores, mas será mesmo que as práticas de jogos aumentam as habilidades de percepção e cognição? 

As evidência sugerem uma forte relação entre a experiência de jogo e outras habilidades cognitivas, mas deficiências metodológicas ainda não nos deixam conhecer a verdade. 

Walter R. Boot, Daniel P. Blakely e Daniel J. Simons do departamento de psicologia da Universidade de Florida - USA discutem esses dados em seu novo artigo “Do action video games improve perception and cognition? Na revista Frontiers in Psychology, 2011. 

Um dos princípios fundamentais da aprendizagem é que o desempenho melhora com a prática. E interessante verificar que isso ocorre quando os participantes são treinados em tarefa cognitiva, geralmente seu desempenho é muito melhor na segunda vez. No entanto, em estudos com treinamento de jogos de vídeo verificam-se que os grupos controles não melhoram seu desempenho quando repete as mesmas tarefas após o treinamento. 

E em estudos comparativos entre jogadores e não jogadores onde se verifica um melhor desempenho dos jogadores quando comparado com os não jogadores, mas a diferença pode não ser causada pelo treinamento do jogo: as pessoas podem se tornar jogadores, porque possuem habilidades necessárias para se destacar nesses jogos, e não porque os jogos influenciaram nas habilidades. 

Os autores destacam ainda, que o jogo é uma grande promessa como uma técnica de treinamento para transferências de habilidades. E que estudos futuros poderão ajudar a definir a extensão dos possíveis benefícios dos jogos para a percepção e cognição. E o mais importante, tal teste podem ter implicações muito além da pesquisa e podem chegar até a ajudar os pesquisadores a desenvolver intervenções para tratar distúrbios de visão, distúrbios atencionais e minimizar os efeitos do envelhecimento cognitivo. 


Fonte:
Walter R. Boot, Daniel P. Blakely, Daniel J. Simons. Do Action Video Games Improve Perception and Cognition? Frontiers in Psychology, 2011; DOI:10.3389/fpsyg.2011.00226


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã