sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Perda de Memória em Idosos

Um novo estudo publicado na edição impressa de 03 de janeiro de 2012, da revista Neurology®, o jornal médico da Academia Americana de Neurologia mostra novas pistas a respeito de porque alguns idosos podem estar perdendo a memória. 

A novidade desse estudo é que ele examina pequenos derrames cerebrais (silent strokes) e a diminuição do hipocampo que é uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória. 

Esse estudo contou com a participação de 658 idosos acima de 65 anos de idade e sem indícios de demência. Foram feitas ressonâncias magnéticas e avaliações neuropsicológicas para avaliar a memória, linguagem, velocidade de processamento de informação e percepção visual. 

O estudo constatou que 174 idosos tiveram pequeninas manchas no cérebro (pequenos derrames) que representam mortes de células cerebrais. Esse resultado foi comparado com o desempenho nas avaliações neuropsicológicas e mostrou que esses idosos também apresentavam piores resultado em testes de memória do que aqueles sem esses pequenos derrames.

Esse resultado levou os pesquisadores a concluir que pequenos derrames associado a menor volume do hipocampo parece estar associado com essa perda de memória. 




Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) versus Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Uma nova pesquisa da Universidade de Montreal publicada no American Journal of Psychiatry em novembro de 2011 mostra que a falta de atenção, ao invés da hiperatividade, é o indicador mais importante quando se trata de aprendizagem e desempenho escolar. 

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão após coletar dados com pais e professores de 2.000 crianças durante um período de quase vinte anos.

Os problemas atencionais observados foram: incapacidade de concentração, distração, ou uma tendência para desistir;
E os hiperativos foram:  agitação, correria, ficar contorcendo-se o tempo todo e inquietude. 

E o resultado dessa pesquisa apontou que apenas 29% das crianças com problemas de atenção (TDA) terminaram o ensino médio em comparação com 89% das crianças que não manifestam problemas atencionais. Ao avaliar crianças hiperativas, verificou-se que a diferença foi menor: 40% versus 77%, indicando que um número maior de crianças com hiperatividade conseguiu terminar os estudos. 

Sabemos que muitas vezes no sistema escolar, as crianças com dificuldades de atenção são muitas vezes esquecidos, deixados de lado, porque, ao contrário de crianças hiperativas, não perturbam os professores e os amiguinhos de classe. 


Fonte:
J.-B. Pingault, R. E. Tremblay, F. Vitaro, R. Carbonneau, C. Genolini, B. Falissard, S. M. Cote. Childhood Trajectories of Inattention and Hyperactivity and Prediction of Educational Attainment in Early Adulthood: A 16-Year Longitudinal Population-Based Study. American Journal of Psychiatry, 2011; DOI:10.1176/appi.ajp.2011.10121732.


Rosani Aparecida Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Rejuvenescimento e Regeneração no envelhecimento do Sistema Nervoso Central

Não é novidade que à medida que envelhecemos a habilidade de nossos corpos para se regenerar diminui. Isto não se aplica somente a nossa pele, mas também a outros tecidos e órgãos do corpo, incluindo o cérebro. 

Isso é especialmente impactante em doenças como a ESCLEROSE MÚLTIPLA. Em posts anteriores, já mostrei para vocês que na esclerose múltipla, as camadas de isolamento que protegem as fibras nervosas no cérebro, conhecida como bainha de mielina, são danificadas. Essa perda de mielina impede que as fibras nervosas enviem sinais nervosos (informações) corretamente para o restante do sistema nervoso central.

No entanto, no início da doença (quando a pessoa ainda é jovem), processos de regenerações, ou remielinizações, ocorrem com frequência e as bainhas de mielina são geralmente restauradas. Infelizmente, com o avanço da idade esse processo diminui significativamente, e como resultado desse processo ocorre a perda definitiva dessas fibras. 

A boa notícia e que recentemente, foi publicado um novo estudo com ratos que mostra que o declínio associado ao aumento da idade na regeneração (remielinização) da bainha de mielina, é reversível, quando ratos idosos estão expostos às células inflamatórias (monócitos) de ratos mais jovens, o processo de remielinização de envelhecimento  pode ser revertida.


Fonte:
Julia M. Ruckh, Jing-Wei Zhao, Jennifer L. Shadrach, Peter van Wijngaarden, Tata Nageswara Rao, Amy J. Wagers, Robin J.M. Franklin. Rejuvenation of Regeneration in the Aging Central Nervous System. Cell Stem Cell, 2012; 10 (1): 96 DOI: 10.1016/j.stem.2011.11.019

Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã