sexta-feira, 13 de julho de 2012

Flexilidade Mental - Autismo e Esquizofrenia

Em um post publicado anteriormente (03.03.2011), falamos um pouco sobre as funções executivas e flexibilidade mental. 
Não deixe de ler!!!

Agora, vou falar um pouco sobre uma pesquisa recentemente publicada na revista científica “Cell”, onde os pesquisadores identificaram uma proteína necessária para manter essa flexibilidade comportamental e com isso oferecer novas perspectivas para pessoas com autismo e esquizofrenia (doenças marcadas pela flexibilidade comportamental prejudicada). 

Flexibilidade Mental, o que seria isso??
Podemos dizer que "Flexibilidade mental" é a capacidade de lidar com diversas situações de maneiras diferentes, visando sempre responder de forma eficaz e eficiente. Uma pessoa com boa flexibilidade mental é capaz de: Ver as coisas de perspectivas diferentes; Adaptar-se à mudanças; Aprender com os próprios erros e com os erros dos outros; Resolver problemas de maneira criativa, entre outros.

Nesse estudo, os pesquisadores fizeram dois experimentos diferentes:
Primeiro - Compararam as experiências de camundongos ao percorrer um labirinto de água com o objetivo de achar uma plataforma para sair da água. Depois essa plataforma era transferida para um local diferente.
Resultado desse experimento: - os camundongos normais (com a proteína) localizaram a plataforma e saíram da água, mas aqueles que não possuíam a proteína foram incapazes de localiza-la. 

Segundo - Colocaram os camundongos sobre uma plataforma onde após um sinal sonoro, um choque fraco era aplicado nas patas desses camundongos. Todos os camundongos ficavam parados ao ouvir o som que antecede o choque nas patas. Na fase seguinte, os pesquisadores mantiveram o sinal sonoro e retiraram o choque.
Resultado: - os camundongos normais ajustaram suas respostas e passaram a não ficar mais parados depois de ouvir o som, mas os camundongos sem a proteína continuaram a responder da mesma maneira, como se esperasse um choque nas patas. 

Para concluir o experimento, os pesquisadores ainda fizeram análises pós-morte de cérebros humanos de pessoas com esquizofrenia e controles saudáveis, e verificaram que o grupo controle mostraram níveis normais da proteína enquanto os pacientes esquizofrênicos apresentavam níveis reduzidos. 

Esses resultados mostram a importância dessa proteína na manutenção da flexibilidade comportamental e como sua ausência pode estar associada com a esquizofrenia e outros distúrbios neurológicos.


Fonte: Mimi A. Trinh, Hanoch Kaphzan, Ronald C. Wek, Philippe Pierre, Douglas R. Cavener, Eric Klann. Brain-Specific Disruption of the eIF2α Kinase PERK Decreases ATF4 Expression and Impairs Behavioral Flexibility. Cell Reports, 24 May 2012 DOI: 10.1016/j.celrep.2012.04.010.


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios
http://www.neuroniosnodiva.blogspot.com

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Memória: use-a ou esqueça!!

Quase metades das pessoas com mais de 60 anos procuram atendimento médico devido a preocupações com o declínio cognitivo (esquecimentos). 

Em 2050, o número de pessoas com mais de 65 anos de idade irá aumentar assustadoramente e como isso, o número de pacientes com DEMÊNCIA é estimado em 37 milhões. No Brasil, em números absolutas já temos mais idosos do que crianças de até 4 anos.

Uma das consequências do envelhecimento populacional, e uma maior ocorrência de complicações associadas às doenças crônico-degenerativas como as demências. 

As demências representam um grande problema de saúde pública, pois são uma das causas mais importantes de morbi-mortalidade (impacto das doenças e mortes) e trazem graves consequências para a vida do paciente e de seus familiares.

Mas nem tudo está perdido!! Segundo pesquisas anteriores, altos níveis de atividade mental como quebra-cabeças, artesanato, jogos de memória, trabalhos manuais e etc., podem diminuir o risco de um indivíduo desenvolver demência em cerca de 50% e pode ainda reduzir a probabilidade do chamado declínio cognitivo leve, que nada mais é do que mudanças no desempenho cognitivo em alguns domínios, mas esses prejuízos não chegam a afetar a vida cotidiana dos idosos e seus familiares.

Recentemente, novo estudo publicado no mês de março na revista BMC Medicine demostra que o treinamento cognitivo é capaz de melhorar o raciocínio, memória, linguagem e coordenação motora de idosos. Segundo o estudo, com o treinamento cognitivo as funções neuropsicológicas dos idosos podem manter-se em pleno funcionamento ao longo do tempo ajudando-os a continuar a viver de forma independente e com muita qualidade de vida.

Fonte:
Yan Cheng, Wenyuan Wu, Wei Feng, Jiaqi Wang, You Chen, Yuan Shen, Qingwei Li, Xu Zhang, Chunbo Li. The effects of multi-domain versus single-domain cognitive training in non-demented older people: a randomized controlled trial. BMC Medicine, 2012; 10 (1): 30 DOI:10.1186/1741-7015-10-30


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã