quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Avaliação Neuropsicológica

Muita gente não conhece a neuropsicologia, e muitos profissionais mesmo na área da Saúde não sabem muito bem o que é a Avaliação Neuropsicológica.

Nós já publicamos um post antes sobre a Avaliação Neuropsicológica, falando  também da sua importância dentro do contexto da Reabilitação Neuropsicológica e Cognitiva.

A avaliação neuropsi (como nós carinhosamente chamamos) é um processo que permite compreensão funcional do desenvolvimento do indivíduo através da elaboração de um perfil de potencialidades e fragilidades. Ela permite:
  • Compreender e observar o potencial adaptativo, ou seja, como esse indivíduo interage com o mundo a partir do seu perfil de potencialidades e fragilidades;
  • Contribui para o diagnóstico diferencial, falando sobre a presença ou não de uma disfunção cognitiva, quais alterações mesmo que sutis podem ser observadas, etc;
  • Contribui para o estabelecimento de um prognóstico, ao identificar os recursos remanescentes e os potenciais do indivíduo, a avaliação permite entender qual o estágio da disfunção, quais recursos podem ser recrutados para uma reabilitação e já sinalizam sobre a evolução do quadro.
  • Orientação para a intervenção, uma vez que ela é a base da reabilitação.
É muito importante observar que a Avaliação Neuropsicológica é muito mais do que a mera aplicação de testes! Esse infelizmente é conceito errado que muitos colegas da áreas da Saúde (e muitas vezes psicólogos) acreditam ser verdade. A avaliação neuropsi faz uso sim de testes, mas ela vai muuuuito além disso. Senão bastaríamos colocar esses testes online para os pacientes fazerem não é mesmo!?

A avaliação neuropsi é todo uma compreensão dinâmica do comportamento que o sujeito expressa durante uma situação clínica (seja o teste, seja uma pergunta, ou seja uma brincadeira que eu faça com o paciente) que revela  a maneira como o sistema nervoso dessa pessoa lida com demanda do ambiente; como reage, como percebe e como se expressa diante disso. Todas as observações clínicas serão unidas dentro de um raciocínio dinâmico que une a história de vida desse paciente, história familiar e genética com conhecimentos sobre sistema nervoso, psicologia, medicina, desenvolvimento humano, patologias do sistema nervoso, etc, para a partir disso conduzir a uma compreensão do caso, entendendo se essa expressão comportamental do paciente é compatível com algum perfil neuropsicológico específico.

Para quem quiser se aprofundar mais, compartilho com vcs uma aula sobre Avaliação Neuropsicológica que ministrei na XXXV Semana da Psicologia da Universidade de Taubaté.


Gostou?? Quer saber mais?? Escreva pra gente!!!

Ms. Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios

sábado, 20 de setembro de 2014

Autismo: sinais precoce

O autismo é uma alteração do neurodesenvolvimento, isso significa que é uma alteração no desenvolvimento neurológico. O cérebro do indivíduo autista tem um funcionamento "diferente" daquele observado em indivíduos da mesma idade sem o diagnóstico. E essa alteração no desenvolvimento se reflete em um padrão de comportamento diferente. Já no bebê é possível observar sinais de riscos para o autismo.

Não se trata de rotular a criança simplesmente, mas observar sinais de alerta no desenvolvimento infantil visando uma intervenção precoce com o objeto de criar condições para que a criança consiga desenvolver plenamente o seu potencial. Se já sabemos que as crianças que estão no Espectro Autista (TEA) tem dificuldades na comunicação, na socialização e apresentam comportamentos repetitivos e estereotipados; ao identificarmos logo cedo o risco para TEA vamos buscar oferecer condições que possam ajudá-la na interação com o meio, oferecendo uma forma de aprendizado diferenciado, adaptações que se façam importantes e oportunidades de aprendizagem compatíveis com a sua necessidade.


Compartilho com vcs um vídeo muito bom sobre esses sinais precoce do autismo, vejam e divulguem.


 








Se vc reconheceu algum desses sinais no seu filho, procure um profissional especializado!
Quanto mais cedo a intervenção, melhor!!

Ms. Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
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domingo, 14 de setembro de 2014

Funções Executivas e TDAH

Olá Pessoal, estava preparando  alguns materiais para uma supervisão de caso com suspeita de TDAH e resolvi compartilhar o material aqui no blog, afinal a dúvida de um pode ser de outros também. Então resolvi fazer esse post para falar brevemente sobre Funções Executivas (FE) e TDAH, e para compartilhar uma aula sobre FE que ministrei há muuuuito tempo (rs) na disciplina de pós-graduação sobre Neuropsicologia no IPUSP. Aproveitem o texto e aula!

O TDAH é um dos transtornos neuropsiquiátricos mais frequente na infância (Polancyk & Rohde, 2007) e seu diagnóstico é essencialmente clínico. É importante notar conforme  aponta Malloy-Diniz e colegas (2008), que a presença de sintomas de TDAH pode variar conforme a fonte de informação: os professores tendem a valorizar mais os sintomas que os pais... por isso mesmo deve-se SEMPRE investigar os diversos informantes (pais, professores, babás, avós...).

Ao pensar sobre um perfil neuropsicológico do TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção com/sem Hiperatividade, rapidamente vamos pensar em déficits atencionais. Segundo Biederman, Mick e Faraone, 2000 (citado por Malloy-Diniz et. al, 2008), esses déficit definem o subtipo do transtorno e são os mais persistentes ao longo do vida desses indivíduos. Para Barkley (1997, citado por Malloy-Diniz et. al, 2008) haveria uma diferenciação entre os comprometimentos da atenção: subtipo desatento teríamos maior comprometimento na atenção focalizada e seletiva; já no subtipo misto ou combinado a maior dificuldade seria na atenção sustentada. Contudo, esses achados não tem sido replicado.

Outro domínio que encontra-se alterado é o das funções executivas. Segundo Malloy-Diniz e colegas (2008), os principais déficits nessas funções referem-se as habilidades de controle inibitório, memória operacional, flexibilidade cognitiva, tomada de decisões e fluência verbal. Marcadamente observa-se a impulsividade como uma característica no padrão de respostas dos indivíduo com TDAH, não somente ocorrendo a impulsividade motora, mas também é possível observar a impulsividade por não-planejamento e a impulsividade atencional.

Em relação à avaliação com as escalas Weschler, observa-se rebaixamento no índice de Resistência à Distração (RD). Muitos erros por impulsividade no teste de Labirintos. E um perfil  ACID de rebaixamento, caracterizado por escores rebaixado nos subtestes Aritmética, Código, Informação e Dígitos.

Compartilho com vcs aula sobre Funções Executivas que ministrei na disciplina de pós-graduação de Neuropsicologia na Psicologia USP. 

Ficou interessado? Quer saber mais??
Vejam as referências sobre o tema abaixou ou me escrevam para nós!!

Ms. Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios


Referências 
Malloy-Diniz, L. F., Sedo, M., Fuentes, D. & Leite, W. B. (2008) Neuropsicologia das funções executivas. In: Fuentes, D., Malloy-Diniz, Camargo, C. H. P. & Cosenza, R. M., (Org.). Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed.  

Bastos, CL (2011). Avaliando o TDAH. Psychiatry on line Brasil 16(12). Dez 2011

Polancysk, G, Rohde, I (2007)Epidemiology of Attetion-deficit/hyperactivity disorder across the lifespan. Current opinion of psychiatry 20(4).

Biederman, Mick, Faraone  et.al (1995) Family enviroment risk factors for Attention-deficit hyperactivity disorder. A test of Rutter`s indicators of adversity. Archives of general psychiatry 52(6)

Barkley (1997) ADHD and the nature of self-control. NY: Guilford. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

"Fixing" Autism - vídeo emocionante

As dificuldades enfrentadas por pais e familiares de crianças do espectro autista vão além da busca por um diagnóstico... ou o diagnóstico é o começo de uma batalha para ajudar a criança a desenvolver seu melhor potencial.

Vejam que interessante o vídeo que esse pai fez sobre a sua "batalha" e em homenagem a sua filha.






Bianca sempre alcançou os marcos do desenvolvimento...
Até ela fazer 1 ano...
Quando ela tinha 15 meses...
Nós sabíamos que alguma coisa estava errada...
Ela ainda engatinhava...
Ela parou de responder ao seu nome...
Ela se tornou absorta em seus brinquedos...
Ela começou a se isolar...
Ela não brincava ou reconhecia outras crianças...
As palavras que havia aprendido... ela perdeu...
Um amigo reconheceu esses sintomas...
E sugeriu que ela fosse avaliada...
Eles vieram em nossa casa...
Assistiram ela brincar...
Havia motivos para preocupação...
Ele estava funcionando muito abaixo da sua idade...
Ela começou com terapias para fala, ocupacional e para o desenvolvimento...
Aos 4 anos, um especialista confirmou nosso medo: AUTISMO.

O diagnóstico foi a parte mais fácil...
O que veio depois poderia ser avassalador...
Descobrir o novo “normal”
Desenvolver rotinas
Muitas terapias
Encontrar bons terapeutas
Lidar com convênios médicos
Ter a terapia negada porque seu filho não mostrou...
“melhora significativa”
Intervenção precoce pré-escolar
Autismo – tarefa de casa
Preenchendo formulário atrás de formulário
Descrevendo as limitações do seu filho
Recebendo olhares punitivos de estranhos...
Quando seu filho autista não agia normalmente
Não deixando que o estresse destrua seu casamento
Garantindo que seus outros filhos não sintam raiva da irmã
MAS... não importa o obstáculo
Não importa quão estressado eu fiquei
Ou quão depressivo eu me torne
Eu VOU lutar por ela
Ela pode nunca ser “normal”
Mas eu posso garantir que ela será...
A melhor BIANCA que ela puder ser.

Para fazer isso...
Eu VOU lutar contra os convênios
Eu VOU falar aberta e honestamente sobre sua condição
Eu VOU  compartilhar minha experiência
Eu NÃO ser silenciado
Eu VOU trabalhar para conseguir uma mudança
Eu VOU lutar por verbas de pesquisa
Eu NÃO FICAREI envergonhado
Eu ARMAREI a mim e aos outros com fatos
Como...
1 em 110 crianças serão diagnosticadas com o transtornos do espectro autista
Meninos são 4X mais afetados do que as meninas
Mais crianças serão diagnosticadas com autismo esse ano do que...
AIDS
DIABETES
E CÂNCER
JUNTOS!!!
Não há cura para o autismo
Autismo custa à nação $35 bilhões por ano
Este número deverá crescer significativamente durante a próxima década
As doações ainda não são tão altas como em outras condições menos prevalentes
Por exemplo...
Leucemia afeta 1 em 1200 – financiamento $277 milhões
Distrofia muscular afeta 1 em 100000 – financiamento $162 milhões
AIDS pediátrica afeta 1 em 300 – financiamento $394 milhões
Diabetes juvenil afeta 1 em 500 – financiamento $156 milhões
Autismo afeta 1 em 110 – financiamento $ 79 milhões
2010 –  orçamento  do National Institute of Health
$35,6 bilhões
$218 milhões foram para pesquisa em autismo
O que representa 0,6% do total do orçamento do NIH
Nós TEMOS que fazer mais
Começando hoje
Faça uma promessa, um voto, uma doação
Se envolva
Escreva para seus representantes (políticos) para garantir terapia para o autismo
Não podemos nos dar ao luxo de perder essa batalha
Peça por mais verbas para pesquisa em autismo
Enquanto isso...
Eu prometo a uma garotinha que irei
Fazer tudo que estiver ao meu alcance...
Para “consertá-la”

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

1º Simpósio Internacional de Autismo PROTEA IPq - HCFMUSP

Divulgando um super evento feito por profissionais altamente gabaritados!
Informações direto no email do evento:  simposioprotea@gmail.com