domingo, 14 de setembro de 2014

Funções Executivas e TDAH

Olá Pessoal, estava preparando  alguns materiais para uma supervisão de caso com suspeita de TDAH e resolvi compartilhar o material aqui no blog, afinal a dúvida de um pode ser de outros também. Então resolvi fazer esse post para falar brevemente sobre Funções Executivas (FE) e TDAH, e para compartilhar uma aula sobre FE que ministrei há muuuuito tempo (rs) na disciplina de pós-graduação sobre Neuropsicologia no IPUSP. Aproveitem o texto e aula!

O TDAH é um dos transtornos neuropsiquiátricos mais frequente na infância (Polancyk & Rohde, 2007) e seu diagnóstico é essencialmente clínico. É importante notar conforme  aponta Malloy-Diniz e colegas (2008), que a presença de sintomas de TDAH pode variar conforme a fonte de informação: os professores tendem a valorizar mais os sintomas que os pais... por isso mesmo deve-se SEMPRE investigar os diversos informantes (pais, professores, babás, avós...).

Ao pensar sobre um perfil neuropsicológico do TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção com/sem Hiperatividade, rapidamente vamos pensar em déficits atencionais. Segundo Biederman, Mick e Faraone, 2000 (citado por Malloy-Diniz et. al, 2008), esses déficit definem o subtipo do transtorno e são os mais persistentes ao longo do vida desses indivíduos. Para Barkley (1997, citado por Malloy-Diniz et. al, 2008) haveria uma diferenciação entre os comprometimentos da atenção: subtipo desatento teríamos maior comprometimento na atenção focalizada e seletiva; já no subtipo misto ou combinado a maior dificuldade seria na atenção sustentada. Contudo, esses achados não tem sido replicado.

Outro domínio que encontra-se alterado é o das funções executivas. Segundo Malloy-Diniz e colegas (2008), os principais déficits nessas funções referem-se as habilidades de controle inibitório, memória operacional, flexibilidade cognitiva, tomada de decisões e fluência verbal. Marcadamente observa-se a impulsividade como uma característica no padrão de respostas dos indivíduo com TDAH, não somente ocorrendo a impulsividade motora, mas também é possível observar a impulsividade por não-planejamento e a impulsividade atencional.

Em relação à avaliação com as escalas Weschler, observa-se rebaixamento no índice de Resistência à Distração (RD). Muitos erros por impulsividade no teste de Labirintos. E um perfil  ACID de rebaixamento, caracterizado por escores rebaixado nos subtestes Aritmética, Código, Informação e Dígitos.

Compartilho com vcs aula sobre Funções Executivas que ministrei na disciplina de pós-graduação de Neuropsicologia na Psicologia USP. 

Ficou interessado? Quer saber mais??
Vejam as referências sobre o tema abaixou ou me escrevam para nós!!

Ms. Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios


Referências 
Malloy-Diniz, L. F., Sedo, M., Fuentes, D. & Leite, W. B. (2008) Neuropsicologia das funções executivas. In: Fuentes, D., Malloy-Diniz, Camargo, C. H. P. & Cosenza, R. M., (Org.). Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed.  

Bastos, CL (2011). Avaliando o TDAH. Psychiatry on line Brasil 16(12). Dez 2011

Polancysk, G, Rohde, I (2007)Epidemiology of Attetion-deficit/hyperactivity disorder across the lifespan. Current opinion of psychiatry 20(4).

Biederman, Mick, Faraone  et.al (1995) Family enviroment risk factors for Attention-deficit hyperactivity disorder. A test of Rutter`s indicators of adversity. Archives of general psychiatry 52(6)

Barkley (1997) ADHD and the nature of self-control. NY: Guilford. 

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